Divulgar idéias próprias, combater o discurso invertido corrente, aprender a dividir, expor sentimentos,
trazer poesia ao dia-a-dia, eis a abrangente ação deste veículo de idéias. De tudo, um pouco - minha meta.
 

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8.7.03
 
Hoje, estou com a alma nordestina aflorada. Deve ter sido pelo fato de ter sido contactada por um jornalista conterrâneo (entenda-se alagoano), radicado em Recife - Aldemar Paiva, radialista, cronista e poeta, colunista do semanário Fatorama, jornal das vozes livres de Brasília, que me homenageou com um de seus trabalhos poéticos com que encerrarei este post.

Leiam e sintam o sabor destas trovas :

" As cirandas das crianças
brincando na minha rua
são carrocéis de esperanças
girando em noite de lua ! "


" Eu vi secando na grade
do quintal exposto ao sol
meu pijama com saudade
do teu lindo baby-doll ! "

São do poeta pernambucano Severino Uchoa, falecido há 5 anos, autor do famoso livro "Brasil de chapéu de couro".

E, por falar em quadrinhas, impossível deixar de registrar algumas do imortal Adelmar Tavares, consagrado poeta, também pernambucano :

" Tu censuras de minha alma
esse alvoroço, esse ardor...
Quem tem amor e tem calma
tem calma, não tem amor. "


" Não sei se é fita ou se é fato,
não sei se é fato ou se é fita...
O fato é que ela me fita,
me fita mesmo de fato ! "


" Para matar a saudade
fui ver-te em ânsia, correndo,
e eu que fui matar saudade
vim de saudade morrendo. "


Para encerrar,

MONÓLOGO DO JANGADEIRO

Do livro ? MONÓLOGOS ?
de Aldemar Paiva


Não me perguntem quanto tempo faz...
um ano, dez, quarenta, nem sei mais
pois do tempo inteiramente ando esquecido.
Sei tão somente que naquele dia
voltei do mar, não encontrei Maria,
Maria tinha desaparecido !

Não me perguntem se eu sofri depois
pois o mundo que era de nós dois
o dilúvio da saudade acabou...
E pela noite imensa da tristeza
eu me perdi sozinho na incerteza
como uma coisa que a maré levou !

Não me perguntem porque da jangada
eu apaguei o nome da malvada
como quem limpa o corpo de uma chaga...
O sol e a chuva desbotaram a vela
mas eu não pude esquecer-me dela
pois tinta de lembrança não se apaga !

Não me perguntem porque o vento frio
em doloroso e triste assobio
gritava por Maria aos meus ouvidos.
O mar raivoso me abria os braços
e eu sabia que com mais dois passos
podia afugentá-la dos sentidos !

Não me perguntem porque resolvi
fechar a casa onde a acolhi
perder a chave e navegar a esmo...
Rever o ninho abandonado e mudo,
ver a saudade empoeirando tudo
era acabar de vez comigo mesmo !

Não me perguntem porque a odeio,
porque a detesto e por isso creio
que outra Maria tão cruel não exista...
Se a encontrasse por acaso eu juro;
não olharia pro seu rosto impuro
e no seu corpo não pousava a vista !

Não me perguntem se é mentira ou não
tudo que eu digo em alucinação
nessa agonia que vocês vão vendo...
Quem sabe se eu não falo por despeito
e vou mentindo pra enganar o peito,
pra que não pensem que eu estou sofrendo ?

Não me perguntem se é ilusão
ou se é Maria mesmo - que emoção -
quem me espera na praia ao fim da vida...
Um ano, dez, quarenta pouco importa
se ela voltou agora quase morta,
feia, acabada, triste, arrependida !

Não me perguntem com quem ela andou,
com quem se foi, por que me abandonou...
Não me perguntem não, amigos meus !
Pobre Maria... há quanto tempo a espero,
Se ainda a amo, se ainda a quero,
não me perguntem, pelo amor de Deus !


Saciei a saudade dos ecos de meu lugar de origem. Se cansei vocês, perdoem-me. Senti prazer e lhes fico devendo.

Alô, Ademar, muito obrigada mesmo!





publicado por Magaly Magalhães às 1:42 AM
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