Divulgar idéias próprias, combater o discurso invertido corrente, aprender a dividir, expor sentimentos,
trazer poesia ao dia-a-dia, eis a abrangente ação deste veículo de idéias. De tudo, um pouco - minha meta.
 

online


envie-me um



Links:

Imagens e Palavras
Sub Rosa v.2
Meg
Xico
Cora Ronai
Flavia
Divagando
Carminha
Subrosa
Claudio Rubio
Lou
Laurinha
Matusca
Suely
Claudia Letti
Aninha Pontes
Valter Ferraz
Telinha
Giniki
Teruska
Helo
Fal
Dudi
Fer
Lord Broken Pottery
Nelson da praia
Marco
Arquimimo
Angela Scott
Dauro
Bia Badaud
Angela do Mexico
Andre Machado
Aurea Gouvea
Ruth Mezeck
Ronize Aline
Ane Aguirre
Elis Monteiro
Cath
Wumanity
Telhado de Vidro
Beth
Milton Ribeiro
Stella
Veronica
Renata
Lucia
Thata
Zadig
Lamenha
annemsens
Cesar Miranda
Paulo Jose Miranda
Eiichi
Li Stoducto Stella Ramos Santos





Arquivos
Junho 2002
Julho 2002
Agosto 2002
Setembro 2002
Outubro 2002
Novembro 2002
Dezembro 2002
Janeiro 2003
Fevereiro 2003
Março 2003
Abril 2003
Maio 2003
Junho 2003
Julho 2003
Agosto 2003
Setembro 2003
Outubro 2003
Novembro 2003
Dezembro 2003
Janeiro 2004
Fevereiro 2004
Março 2004
Abril 2004
Maio 2004
Junho 2004
Julho 2004
Agosto 2004
Setembro 2004
Outubro 2004
Dezembro 2004
Janeiro 2005
Fevereiro 2005
Março 2005
Abril 2005
Maio 2005
Junho 2005
Julho 2005
Agosto 2005
Setembro 2005
Outubro 2005
Novembro 2005
Dezembro 2005
Janeiro 2006
Fevereiro 2006
Abril 2006
Maio 2006
Junho 2006
Julho 2006
Agosto 2006
Setembro 2006
Dezembro 2006
Janeiro 2007
Fevereiro 2007
Maio 2007
Junho 2007
Julho 2007
Agosto 2007
Setembro 2007




Design de
Rossana Fischer










30.1.04
 

publicado por Magaly Magalhães às 11:32 PM

 
Que vêem aqui? Nâo é bela? Belíssima? Uma viola medieval.
Imaginemos ouvir um fundo musical da época e um belo trovador a declamar uma cálida cantiga de amor.

Trago aqui uma cantiga de inspiração espanhola que faz parte do Cancioneiro Geral:

CanTYGUA SUA PARTINDOSSE

de Joâo Rodrigues de Castelo Branco

Senhora, partem tam tristes
meus olhos por vós, meu bem,
que nunca tam tristes vistes
outros nenhuns por ninguem.

Tam tristes, tam saudosos,
tam doentes da partyda,
tam cansados tam chorosos,
da morte mays desejosos
cem mil vezes que da vida.
Partem tam tristes os tristes,
tam fora desperar bem
que nunca tam trystes vistes
outros nenhuns por ninguem.


As cantigas portuguesas (séculos XII a XIV) eram de quatro tipos: cantigas de amor, cantigas de amigo, cantigas de escárnio e cantigas de maldizer.
As cantigas de amor eram de eu lírico masculino. O trovador falava de seu amor por uma dama (geralmente da corte, veladamente, para não a expor) e do tormento que esse amor lhe causava por não ser correspondido.
As cantigas de amigo eam de eu lírico feminino (feitas por um trovador) em que as preocupações da moça com o amigo eram contadas, às vezes, em forma de diálogo entre ela e a mãe, ou entre ela e a natureza. Tomavam nomes diferentes de acordo com o cenário em que eram compostas, podendo ser Alvas (amanhecer), Barcarolas (mar/destino:Cruzadas), Bailias (danças) e outras.
As cantigas de escárnio eram de natureza satírica, envolvendo algum membro das Cruzadas sobre casos de deserção, por exemplo, mas em tom sempre velado.
Finalmente, as cantigas de maldizer eram sátiras pesadas em que eram dados ícios claros da pessoa que se quer ofender, geralmente um senhor feudal, ou um político
influente e malquisto.

Apresento, como exemplo, uma canção de amigo do gênero barcarola:

BARCAROLA

Ondas do mar de Vigo,
se vistes meu amigo!
E ai, Deus, se verrá cedo!

Ondas do mar levado,
Se vistes meu amado!
E ai, Deus, se verrá cedo!

Se vistes meu amigo,
o por que eu suspiro!
E ai, Deus, se verrá cedo!

Se vistes meu amado
o por que ei gran cuidado!
E ai, Deus, se verrá cedo!

Martim Codax, apud Ernani Cidade

Obs. Para melhor apreensão do sentido da cantiga, entender o termo verra como virá e a expressão o por que como aquele por quem eu

******************

"Sou feliz como um relâmpago no trigo"

Vinte anos sem Cortázar


******************


Boa- noite! Com belos sons de viola, intuídos.

publicado por Magaly Magalhães às 11:00 PM
28.1.04
 

publicado por Magaly Magalhães às 10:22 PM

 
Preciso aprender a me dividir em três ou quatro. A ânsia de sempre. Acho que não sei lidar com o tempo. Quero postar, quero visitar os blogues, quero comentar nos blogues, quero ler ( três livros iniciados, e não deslancho em nenhum!), quero ler os e-mails que chegam, quero responder aos e-mails recebidos, quero dar atenção aos problemas domésticos, quero participar da vida dos meus . Simplesmente, não sei administrar essas coisas todas de modo satisfatório, mesmo entrando pela madrugada, noite após noite.

E daí? Cada um com seu ritmo e sua capacidade de lidar habilmente ou não o seu próprio tempo.

Ah! Aquele jogador do Benfica ainda me traz o coração transido de agonia!
Aquela imagem mostrada à exaustão pela TV não me sai da retina. O fato é que nós nunca estamos preparados para receber esses golpes da vida.

E nossa derrota para o Paraguai! Que coisa desconexa? Perdemos a vaga para as Olimpíadas. É de doer!

E a festa de São Paulo? Estou tão distante de tudo que é festivo que deixei passar sem um comentário. Mas a Meg apresentou um trabalho brilhante. Foram ao Subrosa? Não percam!

Não é que transformei meu post em bate-papo (aqui pra nós, de queixas e notícias gastas?).

Hora de relaxar. Em compensação, vou escolher um poema bem lindinho .


Charneca em flor

Enche o meu peito, num encanto mago,
O frêmito de coisas dolorosas...
Sob as urzes queimadas nascem rosas...
Nos meus olhos as lágrimas apago...

Anseio! Asas abertas! O que trago
Em mim? Eu oito bocas silenciosas
Murmurar-me as palavras misteriosas
Que perturbam meu ser como um afago!

E, nesta febre ansiosa que me invade,
Dispo a minha mortalha, o meu burel,
E, já não sou, Amor, Sóror Saudade...

Olhos a arder em êxtases de amor,
Boca a saber a sol, a fruto, a mel:
Sou a chaneca rude a abrir em flor!

Florbela Espanca

*******

"Procuremos somente a Beleza, que a vida
é um punhado infantil de areia ressequida,
Um som d'água ou de bronze e uma sombra que passa..."


Eugênio de Castro

publicado por Magaly Magalhães às 7:02 AM
25.1.04
 

publicado por Magaly Magalhães às 4:52 PM

 
Estou decidida hoje a pagar uma dívida. Trazer Nélida Piñon ao nosso mundinho, que já tem recebido tantas outras figuras de importância e exibir, seu perfil, tendências, caaracterísticas literárias, planos de obra.

Não preciso dizer que Nélida é escritora e acadêmica. Nove romances publicados, três livros de contos e uma narrativa em estilo fragmentário, Nélida é uma autora consagrada nacional e internacionalmente, tendo conquistado dois prêmios literários de importância: o prêmio Mário de Andrade e o Juan Rulfo de Literatura Latino-Americana, este disputado com outros cento e dez autores.
Pela primeira vez , o Prêmio de Literatura Latino-Americana e do Caribe é outorgado a uma mulher, a uma brasileira e a uma escritora de língua portuguesa.
“A REPÚBLICA DOS SONHOS” é a obra premiada.

Foi a primeira mulher a presidir a Academia Brasileira de Letras, 1996. Sua gestão foi altamente profícua em todos os sentidos. Também não podia ser diferente, tal a paixão e o entusiasmo que ela sempre nutriu pelo patrono dessa Casa. A um jornalista que lhe perguntou sobre a capacidade de o Brasil produzir artistas e escritores de categoria, ela respondeu: ”O Brasil não é uma obra do acaso; o Brasil vem de muito longe. Talvez nós, brasileiros, é que ainda não tenhamos a noção exata dos feitos civilizatórios do Brasil. O país deu para o mundo um dos maiores escritores do século XIX. Machado de Assis, minha grande paixão literária, não é um gênio tribal. É um gênio canônico, normativo, que pode se ombrear com Flaubert e Stendhal, com qualquer grande romancista de sua época. Por isso, eu vou dizer uma frase que vivo repetindo há anos, mas é uma frase que não pode ser mudada: se Machado de Assis existiu, o Brasil é possível.”

Está aí uma pálida referência a esta grande representante da literatura brasileira, atualmente ensinando na Universidade de Miami e dando palestras nos quatro cantos do mundo, fazendo conhecida nossa índole e nossa capacidade de criar , de expor nossos próprios matizes.

De Nélida Piñon:

”A literatura não é transparente, não é uma linha reta. Ela é sinuosa, enigmática.”


******************

Cumprindo uma encomenda que me foi feita por uma gentil companheira – mais um poema de Jorge de Lima (escolha livre).

MULHER PROLETÁRIA

Mulher proletária – única fábrica
que o operário tem (fábrica de filhos)
tu
na tua superprodução de máquina humana
forneces anjos para o Senhor Jesus,
forneces braços para o senhor burguês.
Mulher proletária,
o operário teu proprietário
há-de ver, há-de ver:
a tua produção,
a tua superprodução,
ao contrário das máquinas burguesas
salvam teu proprietário.


***************

Que nos seja boa a semana que entra.

publicado por Magaly Magalhães às 4:37 PM
22.1.04
 
Homenageando o artista Dudi Maia Rosa

publicado por Magaly Magalhães às 4:44 PM

 
DO ARBÍTRIO

Das estrias que a mão
esculpe
só o que brilha
sobrevive.

Nômade a manhã
despe o sol
à flor
da carne,

múltipla,
à vertigem da linguagem.

Não há comportas
nem caminhos

não há saaras
nem vienas

em tudo há rinhas
e arestas
de flores
e esquifes.


Em tudo entalha-se
ao revés
coisas que se mostram
e não se dão,

que só no verso vêem-se,
no peeling pelo avesso.

(Delitos que em seu exílio
transbordam de rubro
a lira,
resenham através do júbilo,
rasuram através da ira.)

sopra revanche de ritmos
no íntimo viés do não dito,

sopra o arbítrio dos dias.



DO SILÊNCIO

Para Jorge Wanderley

Não precisa de nós
o silêncio:
já possui sua coda
de música
muda:
secreta seita
em que se enreda
e se desnuda.

Não precisa do nosso
exaspero
nem do ruir
das coisas
físicas
sujeitas à limalha
e à ferrugem.

- Cantar é esculpir
rumores.

Imerso em nossa espera
o silêncio nos arresta
em sua forma
de estar ausente.


Dois poemas de SALGADO MARANHÃO do livro SOL SANGÜÍNEO


publicado por Magaly Magalhães às 4:16 PM
20.1.04
 



Engraving por Roberto Stelzer

publicado por Magaly Magalhães às 11:52 PM

 
Estou feliz, sim, feliz como jamais pensei que poderia me sentir tão cedo...
As grandes almas estão sempre a serviço da alegria do próximo. Assim é a grande dama do universo dos blogs que, como costuma dizer a Cora, é a fada-madrinha do blogverso nosso de cada dia – a grandiloqüente Meg , a nossa iluminada, festejada e querida Subrosa.
Estou feliz, sim, pelo lindo visual que substituiu a acanhada face de meu blog original, resultado da arte de Rossana Fischer que colocou nele toda a sua competência e delicada atenção e produziu o layout vibrante que vocês todos contemplam agora.

Dentro desse estado de satisfação, vou ao post de hoje, na minha nova função de coordenadora de publicação do Imagens & Palavras.

Achei que seria interessante trazer pra cá um dos textos para vocês lerem in loco e avaliarem a utilidade dos assuntos que podem encontrar lá. Assim, sem cliques nem buscas, vocês vão ter ocasião de ler:

DRUMMOND, O SEMI-ANALFABETOno mínimo /SERGIO RODRIGUES23.Out.2003 | Era um longo poema de versos brancos. Péssimos versos brancos: derramados, prosaicos, mancos de gramática e de ritmo, saturados de uma glicose edificante sobre a amizade ou a importância de sorrir e aproveitar a vida enquanto é tempo, já não me lembro bem, mas tanto faz. Só ficava faltando o desenho tosco de uma pomba ou cachoeira espumante para transformá-lo no texto ideal de um desses pôsteres de “elevação espiritual” para adolescentes vendidos em camelôs e bancas de jornal. O horror, o horror, calamidade estética pura. Assinava-o Carlos Drummond de Andrade. De que maneira começa uma coisa dessas? Não descarto a possibilidade de começar como piada, como troça. Pelo menos em tese, tem mesmo alguma graça a súbita relação estabelecida entre o mais consagrado poeta brasileiro e o versejar mais primitivo que se possa conceber. Chegamos a sentir uma espécie de vertigem naquela fração de segundo antes de compreendermos a fraude tipicamente internética. Pois é: é claro que o tal texto me chegou pela internet, como um dia chegaram o falso poema do Borges, a falsa crônica do Verissimo, o falso artigo do Millôr, o falso conto do Saramago... Está bem, é possível que a tese do início jocoso para correntes literárias desse tipo seja benevolente demais com a humanidade. Admito: mais provável é que na raiz do problema esteja a má-fé de autores anônimos. Talentos injustiçados - no conceito que fazem de si mesmos - imaginam que, para serem lidos e apreciados como merecem, só o que lhes falta é uma assinatura consagrada. De repente, pronto, não falta mais: lá estão suas obras viajando o mundo nas asas rapidinhas da ignorância. Deve ser assim mesmo, mas a verdade é que o início da coisa não me preocupa. Até aí tudo bem, ou melhor, tudo mal, mas vamos fazer o quê? O que me incomodou profundamente no episódio do poema de “Drummond” foi o fato de seu remetente ser um sujeito inteligente, esclarecido e vivido, jornalista na faixa dos 40 anos, consumidor de uma dieta de livros muitas vezes superior à média nacional. Pois tal membro da rarefeita elite cultural brasileira recebeu o spam espúrio e o repassou a uma longa lista de conhecidos, aparentemente sem ter tido nem meio segundo de dúvida sobre a autenticidade daquele “Drummond”. Isso sim é deprimente. Mais deprimente até do que a praga dos “resumos” literários que infesta a internet, sobre a qual li outro dia. Trata-se de uma sacada de sites voltados para adolescentes sem tempo, disposição ou neurônios para encarar as grandes obras da literatura que seus professores teimam em fazer cair nas provas. Em vez de ler “Vidas secas”, por exemplo, o preguiçoso dá um pulo no resumo e fica por dentro de tudo em quinze, vinte linhas. Todas elas memoráveis: “A família organiza a mudança e Fabiano quer matar Baleia que está doente, mas acaba a ferindo com um tiro, porém ela foge. Nisso as crianças choram muito a perda do animal”. Para fechar o pacote de barbaridades, só faltava dizer que o autor desse “resumo” é Antonio Candido. Quase todo mundo ia acreditar. Na boa. Graciliano Ramos, que não tinha muita paciência, faz bem de estar morto para não ler uma coisa dessas. Tudo culpa da internet? Não, a menos que o mensageiro possa ser responsabilizado pela má notícia. O que o (já nem tão) novo meio faz é nos revelar com a nitidez de um tapa na cara algo triste que, bem ou mal, sempre soubemos: com exceções tão valorosas quanto estatisticamente desprezíveis, somos uma sociedade incapaz de entender pedrinhas do que lê.==Comente!Postado por Meg Guimarães 29 out 2003 @ 07:16
:
COMENTÁRIOS:Está aí uma afirmação irrefutável. Somos uma sociedade de poucos leitores, na qual a maioria não absorve a essência do que lê.Há que se dar poderosa ênfase à interpretação de textos nos cursos fundamental e médio para que venha a existir um nível mais alto de apreensão da leitura.Outro ponto tocado com muita propriedade concerne ao uso e abuso de internautas sem o devido respeito ao instrumento de comunicação que têm em mãos, não hesitando em publicarem textos com crédito falso, sabe-se lá, se ocultando alguma intenção tendenciosa. No mínimo, usando linguagem imprópria ou deturpada. São problemas difíceis de contornar, a não ser através da educação, na escola e em família, de resultado a longo prazo.postado por: Magaly em janeiro 17, 2004 12:36 AM

Como a que acaba de ser exposta, há passagens interessantíssimas que estão muito à mão, pois é só clicar no banner de Imagens & Páginas e escolher em Arquivos a que mais interessar no momento.


Recado pra Ofélia
A imagem abaixo é uma homenagem a você.

publicado por Magaly Magalhães às 11:18 PM
18.1.04
 

publicado por Magaly Magalhães às 12:43 AM
17.1.04
 
Voltando às publicações que têm sido feitas no Imagens e Palavras, eu já tive ocasião de falar que Meg está fazendo um trabalho amplo de divulgação de textos da melhor qualidade e do maior interesse pra quem quer ampliar seus horizontes literários.

O caminho para eles se encontra à esquerda, logo abaixo da imagem que encabeça o I&P, sob o título Os Melhores Textos Surgidos em Weblogs ou não.
Vimos, num primeiro lance, os pequenos contos de quatro semifinalistas: Irina Kowalski, Marli, Ovídio Dantelli e Elisa L. Oportunamente, haverá a continuidade dessas publicações. E, enquanto isso não acontece, Meg providenciará sempre uma entrevista interessante, ou uma cônica diferente, um prefácio notável, um texto sempre de qualidade para nosso gáudio e proveito.

O último veio em forma de entrevista – NO MÍNIMO (Rato de Livraria) por Flávio Pinheiro
Ex-Libris / MILTON HATOUM

Trata-se de um fenômeno . O entrevistado apresenta respostas ricas em indicação de títulos demonstrando conhecimento enciclopédico admirável.
O leitor só tem a ganhar: aprende, enriquece suas fontes de busca e ainda pode comentar o texto apresentado com liberdade e espírito crítico.

Vamos lá. A fonte de inspiração de Meg para esse trabalho de divulgação é sua imensa vontade de espalhar conhecimento, cumprindo sua vocação de mestra zelosa e guardiã de letras.



E por falar em Letras que remete a Linguagem, vamos nos deliciar com

VIDA TODA LINGUAGEM

de Mário Faustino

Vida toda linguagem,
frase perfeita sempre, talvez verso,
geralmente sem qualquer adjetivo,
coluna sem ornamento, geralmente partida.
Vida toda linguagem,
há entretanto um verbo, um verbo sempre, e um nome
aqui, ali, assegurando a perfeição
eterna do período, talvez verso,
interjetivo, verso, verso.
Vida toda linguagem,
feto sugando em língua compassiva
o sangue que criança espalhará – oh metáfora ativa!
leite jorrado em fonte adolescente,
sêmen de homens maduros, verbo, verbo.
Vida toda linguagem,
bem o conhecem velhos que repetem,
contra negras janelas, cintilantes imagens
que lhes estrelam turvas trajetórias.
Vida toda linguagem –
como todos sabemos
conjugar esses verbos, nomear
esses nomes:
amar, fazer, destruir,
homem, mulher e besta, diabo e anjo
e deus talvez, e nada.
Vida toda linguagem,
vida sempre perfeita,
imperfeitos somente os vocábulos mortos
com que um homem jovem, nos terraços do inverno, contra a chuva,
tenta fazê-la eterna – como se lhe faltasse
outra, imortal sintaxe
à vida que é perfeita
língua
eterna.

publicado por Magaly Magalhães às 11:46 PM
15.1.04
 



De nossa gracinha que é Flávia para o bem de nossos bons olhos.

publicado por Magaly Magalhães às 11:30 PM

 
Infelizmente, ocorreu um erro no sistema interno e meu último post apareceu cheio de defeitos na colocação do ç, do til e do acento agudo. Tentei aquela revisão recomendada logo quando surgiu esse caso ( no período da reestruturação da Blogger), mas não consegui.
Resolvi, então, repetir o post para vocês não perderem a emoção que se pode sentir a partir desses poemas lidos normalmente, sem vacilações.

Um dia desses, deixei com vocês um poema de Ana Cristina Cesar. Deu-me vontade de voltar a ela, cuja poesia revela uma alma angustiada, apesar da argúcia com que analisa os fatos, os sentimentos, a vida. Vejam este aqui:

FLORES DO MAIS

devagar escreva
uma primeira letra
escrava
nas imediações
construídas
pelos furacões;
devagar meça
a primeira pássara
bisonha que
riscar
o pano de boca
aberto
sobre os vendavais;
devagar imponha
o pulso
que melhor
souber sangrar
sobre a faca
das marés;
devagar imprima
o primeiro
olhar
sobre o galope molhado
dos animais; devagar
peça mais
e mais e
mais


E este outro:

PSICOGRAFIA

Também eu saio à revelia
e procuro uma síntese nas demoras
cato obsessões com fria têmpera e digo
do coração: não soube e digo
da palavra: não digo (não posso ainda acreditar
na vida) e demito o verso como quem acena
e vivo como quem despede a raiva de ter visto


E trago também Paulo Leminski, este interessante jornalista, professor de História, Redação e Judô que nos deixou cedo demais, em 1889, há, portanto, quase 15 anos. Dele, trouxe-lhes:

ESTUPOR

esse súbito não ter
esse estúpido querer
que me leva a duvidar
quando eu devia crer

esse sentir-se cair
quando não existe lugar
aonde se possa ir

esse pegar ou largar
essa poesia vulgar
que não me deixa mentir


E, para finalizar, seu poema-oração:

SÃO NÃO

não são
são não
rogar por nós
para que não
sejamos senão


Encerremos por hoje

publicado por Magaly Magalhães às 10:38 PM
10.1.04
 

publicado por Magaly Magalhães às 3:03 PM

 
Uma sensação difusa me toma o peito agora, exatamente na hora de postar, de conversar com vocês. Nada me aconteceu durante o dia que me causasse algum mal-estar... Ah! o assalto a um apartamento na vizinhança.

Meu dia corrido, cheio de ocupações rotineiras me tirou a atenção do ocorrido em plena manhã, já clara, em sua sétima hora. Numa esquina, um sujeito, empunhando uma AR15, funcionava como olheiro a uns 12 metros da entrada do edifício em que moro. Na outra esquina, outro olheiro aparelhado com mais uma AR15. Num edifício da transversal curtinha, de um trecho só, assaltantes, armados até os dentes, molestavam, amedrontavam e saqueavam os moradores de dois dos dez apartamentos. Nem desço a detalhes. O Globo de quinta-feira fez isso muito bem.

O amargo que me ficou na alma traduz toda a minha indignação diante de nossa impotência. É muita insegurança!

A Ladeira do Sacopã tem vivido dramas semelhantes com freqüência assustadora, segundo os jornais.

Há poucos anos, no edifíco vizinho ao meu, uma médica de 62 anos, que havia vindo abraçar sua mãe no Dia das Mães, não logrou voltar para casa. Foi morta dentro do elevador por dois marginais que haviam entrado no edifício como entregadores de flores e aguardavam as vítimas no elevador.

Como se não bastassem os jornais cuspindo fogo, furtos e fatos escabrosos, estou eu aqui a engrossar este rosário de casos deprimentes.
É que, quando o caso se passa tão proximamente, nossa inquietação redobra. O medo se instala, nossa vida vira um tumulto.

E não há um poder efetivo que consiga controlar essa horda insana que vive de praticar roubos e crimes?

Precisamos de tantas providências!

De um sistema penitenciário onde se reeduque o malfeitor; não de prisões desaparelhadas que amontoam desumanamente os indivíduos, piorando-lhes o caráter, fomentando rebeliões, abrindo margem à corrupção deslavada.
De uma polícia adestrada, incorruptível.
De uma fórmula para uma distribuição de renda menos injusta.
De uma mobilização mais significativa da sociedade no sentido de atingir esses objetivos.

E precisamos de um sistema educacional, onde a criança se forme para a vida plena, moldada pelos princípios éticos, em que companheirismo, solidariedade, ombridade sejam uma constante.

Sinto-me menos pesada dividindo com vocês esse desgosto. Não me levem a mal.


****************************************

O Globo de hoje, sábado (sim, ontem o cansaço me venceu e terminei não concluindo o post, o que vou fazer já) traz em seu caderno Prosa e Verso um artigo do jornalista Elias Fajardo fazendo um paralelo entre as “duas baleias no oceano global: Brasil e Índia”.
Ele fala da Índia, país que vai sediar o Fórum Social Mundial e seus pontos em comum com o Brasil, como a biodiversidade e o clima.
E traz à baila a lira de Cecília Meireles nos versos “Eu vi o mundo recoberto/pela manhã de claridade/ da incandescente eternidade”, onde ela insinua as diferenças entre os dois universos.
Vieram-me à mente os lindos poemas que a poeta e educadora , em sua viagem à Índia , dedicou ao país que visitava. Logo imaginei oferecer-lhes um deles que acho magnífico:

A LEI DO PASSANTE

Passante quase enamorado,
Nem livre nem prisioneiro,
constantemente arrebatado,
- fiel? saudoso? amante? alheio?
a escutar o chamado,
o apelo do mundo inteiro,
nos contrastes de cada lado...

Chega?

Passante quase enamorado,
já divinamete afeito
a amar sem ter de ser amado,
porque o tempo é traiçoeiro
e tudo lhe é tirado
repentinamente do peito,
malgrado sem querer, malgrado...

Passa?

Passante quase enamorado,
pelos campos do inverdadeiro,
onde o futuro é já passado...
- Lúcido, calmo, satisfeito,
- fiel? saudoso? amante? alheio?
Só de horizontes convidado...

Volta?


publicado por Magaly Magalhães às 2:53 PM
3.1.04
 
Em clima de saudade, a Praia do Gunga, ponto turístico de Maceió.

publicado por Magaly Magalhães às 11:39 PM

 
Saudosa de meu berço, recorro ao poeta de mesma procedência.

É com orgulho e profundo respeito que evoco JORGE DE LIMA, o poeta cujo plano situava-se acima da frágil natureza das coisas. Sua poesia pairava sempre alto, mesmo quando não era inteiramente subjetiva. Ele não transformava dores pessoais em poemas. A subjetividade era inerente à sua poesia e sonorizava seu canto

Trago-lhes hoje CANTIGAS (in "Novos Poemas").

As cantigas lavam a roupa das lavadeiras.
As cantigas são tão bonitas, que as lavadeiras
ficam tão tristes, tão pensativas!

As cantigas tangem os bois dos boiadeiros!
Os bois são morosos, a carga é tão grande!
O caminho é tão comprido que não tem fim.
As cantigas são leves...
E as cantigas levam os bois, batem a roupa
das lavadeiras!

As almas negras pesam tanto, são
tão sujas como a roupa, tão pesadas
como os bois...

As cantigas são tão boas...
Lavam as almas dos pecadores!
Lavam as almas dos pecadores!


Estão vendo? A um assunto trivial, que podia ter sido circunscrito à descrição da paisagem, o poeta conferiu um tratamento religioso. Deu um nome vago ao poema e foi além das lavadeiras e boiadeiros para sugerir que os homens precisam lavar a alma e tirar-lhes as sujidades.
Para poeta de Túnica Inconsútil os problemas humanos e divinos eram os capitais.


*************


A saudade amainada, vamos ao fato que estragou a entrada do ano . As chuvas, apesar de moderadas, mas constantes, chegaram a causar um grande número de deslizamentos aqui, no Rio. Muita gente desabrigada, sofrimento para muitos.

Esperemos que o tempo mellhore e que as pessoas atingidas logo se refaçam. o que não é tão fácil dado o tipo dos prejuízos sofridos. Mesmo que haja uma ação solidária como sempre acontece, essas ocorrências deixam sinais de desestruturação por um bom tempo.


************


Espero que 2004 nos traga solução para muitos dos problemas que emperram o desenvolvimento de nosso país para que o Brasil possa se projetar como uma nação adulta e de grandes possibilidades.

publicado por Magaly Magalhães às 11:13 PM