Divulgar idéias próprias, combater o discurso invertido corrente, aprender a dividir, expor sentimentos,
trazer poesia ao dia-a-dia, eis a abrangente ação deste veículo de idéias. De tudo, um pouco - minha meta.
 

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7.11.03
 
VOLTANDO AO PARDAL

Como vocês já sabem, Pardal era um garotinho de pequena estatura, magro, joelhudo, de olhos grandes de jabuticaba que brilhavam diferente quando alguma projetada brincadeira o estimulava com mais intensidade.
Não que houvesse alguma coisa que o alvoroçasse mais do que uma partida de futebol no meio da rua, com 11 jogadores de cada lado, o local das redes do gol desenhado no calçamento, juiz, bandeirinha, platéia e torcida organizada.
Num desses sábados mágicos de vadiação programada, uma partida havia sido marcada, pela manhã, para as três da tarde.
O verão estalava de quente e nossa casa se estabeleceu como ponto de fornecimento de água gelada ou suco ou algo equivalente para aplacar a sede dos nossos motivados jogadores, à hora azada.
A casa ficava em centro de terreno com um jardezinho na frente, áreas laterais e um quintal com árvores frutíferas que iam de um pé de maracujá que cobria todo o telhado da garagem a uma jabuticabeira ainda jovem que nunca teve o direito de exibir seus lustrosos frutos escuros ao longo de seus braços porque a visitação ao local nunca também era menor de que uns quinze, dezesseis ágeis dedinhos e ávidas boquinhas. Isto para não falar na esbelta mangueira que se alçava aos telhados vizinhos e que dava a manga-espada mais doce jamais provada na terra.
E pelos portões, pelas áreas laterais, cozinha e quintal, o trânsito era trepidante, um movimento e barulho pra dentro e pra fora, quebrado apenas pelo som estridente de um... GOOOLLL...! do JUNIIIIINHO!
E aí vinham os abraços melados, as desengonçadas piruetas, as exibições de todo tipo e gosto para comemorar a marcação.
Pardal, olhos acesos, defendia sua posição com ardor profissional. Não era um craque, mas voava, voava, voava...em campo, como voavam os pardais ao longo da rede elétrica.
Esta tarde ficou na história. O time do Pardal marcou pra valer e, claro!...
A festa pelo resultado entrou pelo anoitecer - no meu quintal!!!

Quanta saudade, Estêvão!



A ilustração do texto entra por conta da autora do inspirado Blog das Cores - a nossa querida Flávia - que amorosamente reproduziu o meu Pardal com sua sensibilidade, seu iluminado domínio das cores que a fazem a rainha das aquarelas, óleos e composições digitais.
O Pardal e eu temos você guardada no fundo do coração, Flavinha.

publicado por Magaly Magalhães às 10:44 AM
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