Divulgar idéias próprias, combater o discurso invertido corrente, aprender a dividir, expor sentimentos,
trazer poesia ao dia-a-dia, eis a abrangente ação deste veículo de idéias. De tudo, um pouco - minha meta.
 

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28.2.04
 
Vocês sabem quem é a poetisa do momento em Portugal? Já ouviram falar de Adília Lopes? E de Maria José da Silva Viana Fidalgo de Oliveira?

Os dois nomes são a mesma pessoa. Na palavra da própria poetisa “a Adília Lopes é água no estado gasoso, a Maria José é a mesma água no estado sólido”. Portuguesa, lisboeta, poetisa, lingüista, física, bibliotecária, documentalista, sua poesia, feita com poucos adjetivos, concede muita atenção às pequenas coisas e às aparentemente menos dignas. É uma poesia atenta aos incidentes do quotidiano.
Ao lhe perguntarem numa entrevista se ela seria uma poetisa pop ou conceptual, ela responde: “As duas coisas. O pop é conceptual e há físicos que atribuem cores às equações. Sou sinestésica como todos os poetas”.
Para sintetizar, sua poesia é satírica, mas é também lírica. Sente-se no que Adília escreve “uma grande carga de violência, de dor, de seriedade e de santidade.”

Foi “Clarissa” de Érico Veríssimo, descoberta aos dez anos, a porta por onde Adília entrou na literatura.



O texto abaixo está na revista Inimigo Rumor, nº10 de maio de 2001:

Adília Lopes

O poeta de Pondichéry


Diderot (ou quem fala por ele em Jacques le Fataliste) recebe um jovem que escreve versos. Acha os versos maus e diz ao jovem que ele há-de fazer sempre maus versos. Diderot preocupa-se com a fortuna do mau poeta. Pergunta-lhe se tem pais e o que fazem. Os pais são joalheiros. Aconselha-o a partir para Pondichéry e a enriquecer lá. E a que sobretudo não publique os versos. Doze anos mais tarde o poeta volta a encontrar-se com Diderot. Enriqueceu em Pondichéry (juntou 100.000 francos) e continua a escrever maus versos.

Por que é que o mau poeta deve ir para Pondichéry e não para outro lugar Por que é que seus pais são joalheiros? Por que é que juntou 100.000 francos? E por que é que passou doze anos em Pondichéry? Não sei explicar. O que me atrai é precisamente isto: Pondichéry, pais joalheiros, 100.000 francos, doze anos.

10.II.1986

1
Para quê sacrificar uma página em branco?
se ainda se escrevesse em peles de bezerros recém-nascidos
atrevia-me a sacrificar bezerros recém-nascidos?
acho que sim

2
Vou dedicar todos os meus poemas a Diderot
escrevo só À Denis
ele sabe que é esse Denis
eu também
as outras pessoas não
não há embaraços

3
Se não tivesse conhecido Diderot
dizia hoje coisas diferentes das que digo hoje
devo-lhe a minha fortuna e o meu desgosto

4
Mercurocromo bofetadas café com leite ópio
toda uma vida em vista de um poema
de que Diderot não gosta

publicado por Magaly Magalhães às 1:08 AM
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