Divulgar idéias próprias, combater o discurso invertido corrente, aprender a dividir, expor sentimentos,
trazer poesia ao dia-a-dia, eis a abrangente ação deste veículo de idéias. De tudo, um pouco - minha meta.
 

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24.4.04
 



Era para ter postado este texto no dia 22 último para lembrar a data histórica. Faz parte do livro Redescobrindo o Brasil aos 500 anos, que reúne textos de jovens brasileiros participantes do concurso patrocinado, na ocasião do aniversário dos 500 anos, no ano 2.000 , pela Tap.
Selecionados por dois grandes nomes da Academia Brasileira de Letras, Josué Montello e Nélida Piñon, os textos remetem à carta de Pero Vaz de Caminha à corte portuguesa anunciando o feito de Pedro Álvares Cabral.
Escolhi o premiado em 3° lugar, escrito por Fernanda Bonadio, da Universidade de Ribeirão Preto – São Paulo.

Meu caro Pero,
Empresto-te meus olhos para que creias no que agora vejo. Caminha pelos meus passos e revive a alegria desta descoberta. Sente o calor deste sol que aquece o corpo e o sonho dos que aqui aportam, que aquece a transparência das águas e a brancura das praias, que ilumina e fertiliza as florestas e os campos, que castiga o solo seco do sertão e acaricia as serras na bruma da manhã.
Há aqui uma nova terra, meu caro, e diversa da que um dia viste. As praias que certamente encantaram teus olhos, encantam ainda os meus, e os de toda gente, mas trazem já junto a si modernas cidades que provêem o conforto e a segurança necessários a tamanho encanto. Existem, em algumas delas, grandes portos que permitem o intercâmbio entre produtos do mundo todo.
As imensas florestas abrigam uma miríade de espécies de animais e plantas, como pudeste vê-los outrora, e despertam interesse e admiração. Entretanto, não ocupam mais todo o vasto território, e dividem o espaço com inúmeras cidades, pequenas e grandes, e com propriedades agrícolas que usufruem da riqueza do solo. Ocultos aos olhos, os tesouros do subsolo se tornam visíveis através de grandes siderúrgicas dos inumeráveis tipos de minérios utilizados aqui e exportados para outros países.
Desviemos um pouco o olhar do chão, caro amigo, para que possamos observar as movimentadas cidades. Nelas encontraremos indústrias, comércio, todo tipo de serviços e tecnologia, como em todas as grandes cidades do mundo. Se preferes, deleitemo-nos com a calma e o aconchego das pacatas cidadezinhas do interior, e sintamos o tempo arrastar-se, mais lento e fluido, no canto dos pássaros, no correr dos rios, ou no som plangente de um violão ao cair da tarde.
Considera agora, Pero, que por trás do violão há uma mão que o tange, e há um coração sensível à beleza. Repara que por trás do bulício das grandes cidades há o esforço por uma vida digna, há a vontade de um país melhor. Observa como o combustível das indústrias e o adubo do solo são o suor e a força do trabalho árduo e incansável. Atenta para a natureza exuberante e pródiga e percebe como depende do cuidado e empenho de vozes que desprezam o tempo e clamam pelo futuro, que unem suas mãos para garantir sua vinda.
Essa, meu caro, é a maior riqueza desta terra. Estou certo de que não poderias sequer sonhá-la tão grande e tão forte. São pessoas que vieram de todas as partes do mundo para plantar aqui sua esperança e hoje formam a raça dos que acreditam. Sua cultura é a alegria, seu coração acompanha seus ritmos envolventes, sua voz canta a cor e a vida.
Esse povo conhece seu valor e não recua diante das dificuldades; antes, luta, supera-as e enobrece-se. É um povo de mãos dadas: no trabalho, para somar; na solidariedade, para compartilhar; na fé, para unificar. Seu olhar expressa a certeza de estar no caminho certo, e sua alma é tão grande e generosa como o chão em que pisa. Seu rosto traz os traços marcados por quinhentos anos de coragem. É, assim, uma nação com vocação para o futuro e engenho para construí-lo desde já.
Imagino que estejas surpreso ante esta nova descoberta. O Brasil é, de fato, surpreendente. Fica, por ora, com essa imagem iluminada pelo meu entusiasmo. O futuro se encarregará de enviar-te outras cartas.




Para finalizar, um poema da poeta portuguesa por nascimento, brasileira por opção - Maria Helena Varela - constante de seu livro Labirintos e Mapas, um “ livro de viagens, reais e imaginárias, de navegações poético-fiosóficas, em que a autora, em seu pensar-sentir lusitano, cinge Portugal e Brasil no abraço da língua comum, dos mesmos anseios e lonjuras” (palavras de Moura Machado).


EPÍLOGO

A rota sem retas,
De hipérboles e parábolas tecida,
Retorcida nos tempos,
Os mapas inconjuntos da utopia
E os impérios visionados do Invisível;
As razões cativas do mistério,
E os signos pontilhados de Indizível,
Tudo isso aqui ficou, coalhado no poema.

E os Vieiras e Cabrais que não se foram
Mas ficaram perdidos nestes mapas,
Além de mim, suspensos
Nos labirintos da história do futuro...

publicado por Magaly Magalhães às 9:49 PM
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