Divulgar idéias próprias, combater o discurso invertido corrente, aprender a dividir, expor sentimentos,
trazer poesia ao dia-a-dia, eis a abrangente ação deste veículo de idéias. De tudo, um pouco - minha meta.
 

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Rossana Fischer










9.9.05
 


Falo de quem? Vocês descobrirão assim que eu começar a exibir os primeiros trechos tomados aleatoriamente de suas crônicas ou romances.

*Como seriam as coisas e as pessoas antes que lhes tivéssemos dado o sentido de nossa esperança e visão humanas? Devia ser terrível. Chovia, as coisas se ensopavam sozinhas e secavam. E depois ardiam ao sol e se crestavam em poeira. Sem dar ao mundo o nosso sentido humano, como me assusto. Tenho medo da chuva, quando a separo da cidade e dos guarda-chuvas abertos, e dos campos se embebendo de água.*

(*Sem Nosso Sentido Humano*, crônica publicada em 28.06.69. Loc.cit.)


*Minha alma humana é a única forma possível de eu não me chocar desastrosamente com a minha organização física, tão máquina perfeita esta é. Minha alma humana é, aliás, também o único modo como me é dado aceitar sem desatino a alma geral do mundo. A engrenagem não pode nem por um segundo falhar.*

(*Engrenagem*, crônica publicada e 28.06.69. Loc.cit)


*Eu acho que a diferença entre os doidos e o não-doido é que o não-doido não diz nem faz as coisas que o doido faz. É só essa.*

(*Clarice*. Entrevista com O Pasquim. Rio de Janeiro, 09.06.74)


*Que esforço eu faço para ser eu mesma. Luto contra uma maré de mim.*

*Não quero a complacência da desordem. E se sou líquida como é líquida o informe, antes sou gotas de mercúrio do termômetro quebrado, líquido metal que se faz círculo cheio de si e igual a si mesmo no centro e na superfície, prata que tromba e não derrama, liquidez sem umidade.*

(Apud Borelli, Olga. Clarice Lispector: Esboço para um possível retrato, pg 12.)


*Sou um objeto querido por Deus. E isso me faz nascerem flores no peito. Ele me criou igual ao que escrevi agora: ?sou um objeto querido por Deus? e ele gostou de me ter criado como eu gostei de ter criado a frase. E quanto mais espírito tiver o objeto humano mais Deus se satisfaz..
Lírios brancos encostados à nudez do peito. Lírios que eu ofereço e ao que está doendo em você..Pois nós somos seres e carentes. Mesmo porque certas coisas, se não forem dadas, fenecem.. Por exemplo, junto ao calor de meu corpo, as pétalas dos lírios se crestariam. É por isso que me dou à morte todos os dias. Morro e renasço.
Inclusive eu já vivi a morte dos outros. Mas agora morro de embriaguês de vida. E bendigo o calor do corpo vivo que murcha lírios brancos.
O querer, não mais movido pela esperança, aquieta-se e nada anseia.
Meu futuro é a noite escura e eterna. Mas vibrando em elétrons, prótons, nêutrons, mésons, e para mais não sei, porém, que é no perdão que eu me acho.
Eu serei a impalpável substância que nem lembrança do ano anterior substância tem.*

(Apud Borelli, Olga. Clarice Lispector: Esboço para um possível retrato, pp. 61 a 62)


*O que me descontrai, por incrível que pareça, é pintar. Sem ser pintora de forma alguma, e sem aprender nenhuma técnica. Pinto tão mal que dá gosto e não mostro meus, entre aspas, quadros, a ninguém. É relaxante e ao mesmo tempo excitante mexer com cores e formas sem compromisso com coisa alguma. É a coisa mais pura que faço (...) Acho que o processo criador de um pintor e do escritor são da mesma fonte. O texto deve se exprimir através de imagens e as imagens são feitas de luz, cores, figuras, perspectivas, volumes, sensações.*
Vejam aqui os quadros: Explosão, Medo, Luta Sangrenta pela Paz, Sem título e Tentativa de SerAlegre.


*Quero escrever o borrão vermelho de sangue com as gotas e coágulos pingando de dentro para dentro. Quero escrever amarelo-ouro com raios de translucidez. Que não me entendam pouco-se-me-dá. Nada tenho a perder. Jogo tudo na violência que sempre me povoou, o grito áspero e agudo e prolongado, o grito que eu, por falso respeito humano, não dei. Mas aqui vai o meu berro me rasgando as profundas entranhas de onde brota o estertor ambicionado. Quero abarcar o mundo com o terremoto causado pelo grito. O clímax de minha vida será a morte.*



É isto. A gente sente falta do que é bom. E a obra de Clarice está aí para mostrar que talento é sopro divino.

Aqui estão alguns depoimentos que confirmam a excelência dessa obra:


Clarice
veio de um mistério.
partiu para outro.
Ficamos sem saber a
essência do mistério
Ou o mistério não era essencial
era Clarice viajando nele.

Carlos Drummond de Andrade

Onde estivestes de noite
que de manhã regressais
com o ultra-mundo nas veias
entre flores abissais?
Estivemos no mais longe
que a letra pode alcançar:
lendo o livro de Clarice,
mistério e chave no ar.

Carlos Drummond de Andrade


Clarice não delata, não conta, não narra e nem desenha ? ela esburaca um túnel onde de repente repõe o objeto perseguido em sua essência inesperada.

Lúcio Cardoso, escritor, cineasta, pintor e grande amigo.


A obra de Clarice recodifica e reinterpreta em prosa poética contemporânea as crenças cabalísticas judaicas. Para a Cabala, como para Clarice, a existência se explicita e se estrutura graças ao Mistério: É a certeza da existência do Mistério que permite à humanidade exercitar sua infinita liberdade (ZOHAR); A criação não é uma compreensão, é um novo mistério (CL: Visão do Esplendor)

ESTER SCHWARTZ, Mestre em Letras, professora, co-Diretora da ALACL


...(você pega mil ondas que eu não capto, eu me sinto como rádio de galena, só pegando a estação da esquina e você de radar, televisão, ondas curtas), é engraçado, como você me atinge e me enriquece ao mesmo tempo, o que faz um certo mal, me faz sentir menos sólido e seguro.

Rubem Braga, escritor e amigo.


O desenvolvimento de certos temas importantes da ficção de Clarice Lispector insere-se no contexto da filosofia da existência, formado por aquelas doutrinas que, muito embora diferindo nas suas conclusões, partem da mesma intuição kierkegaardiana do caráter pré-reflexivo, individual e dramático da existência humana, tratando de problemas como a angústia, o nada, o fracasso, a linguagem, a comunicação das consciências, alguns dos quais a filosofia tradicional ignorou ou deixou em segundo plano.

Benedito Nunes, filósofo, crítico, escritor.

[Matéria encontrada em Cadernos de Literatura Brasileira (nº 17e18) (IMS) e no site:
http://www.geocities.com/Paris/Concorde/9366/quadros.htm


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Eu disse que tinha mais, eu disse que contava depois, pois não?
Vamos a eles:

Botar a boca no trombone

Significativo:
Fazer um escândalo; contar tudo o que sabe sobre certo assunto.

Histórico:
Na verdade, a expressão vem muito antes de da invenção do trombone. Originalmente se dizia *Pôr a boca no trambolho*. Depois é que foi adaptada, talvez pelo barulho que o trombone faz. Como você sabe, trambolho siginifica *obstáculo, embaraço, estorvo, empecilho*. Portanto, inicialmente, *pôr a boca no trambolho* era tentar vencer os obstáculos. Chico Buarque comenta alguma coisa em seu livro Estorvo.


Dinheiro não nasce em árvore

Significativo:
Expressão preferida dos pais quando os filhos pedem dinheiro. É preciso trabalhar para se ter o dinheiro.

Histórico:
Frase atribuída a Deus, quando expulsou Adão e Eva do Paraíso. Ou seja,*agora vocês vão ter que trabalhar e inventar o dinheiro, porque dinheiro não nasce em árvore, como a maçã.*

publicado por Magaly Magalhães às 9:56 AM
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