Divulgar idéias próprias, combater o discurso invertido corrente, aprender a dividir, expor sentimentos,
trazer poesia ao dia-a-dia, eis a abrangente ação deste veículo de idéias. De tudo, um pouco - minha meta.
 

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9.12.05
 

DE VISITA

Não é uma volta pra valer, é mais uma visita para abrandar as saudades. Saudades de todos e de tudo. Do interagir diário por conta de comentários, e-mails, posts; da descoberta de novos blogs, dos blogs que viram livros, de notícias concernentes a blogs e sua importância na vida hodierna..
Ando defasada em matéria de notícias de modo geral. Não tenho acompanhado os acontecimentos que vão pelo mundo e muito menos lido livros ou revistas, mas vir à blogosfera já me alenta sobremodo.
Não pensei ainda no Natal já tão próximo, mas vislumbro a esperança de poder entrar em harmonia com o nosso universo, através da graça que Deus me concedeu em forma de uma trégua na luta pela saúde de meu esposo.
Esta visita, então, é uma prévia do que estarei a desejar a todos os amigos, sejam quais forem as circunstâncias, no dia do nascimento de Jesus. Que sintamos a SUA mão a nos conduzir na luta pela paz universal tão desejada e ainda tão distante.


Encontrei esses poemas de Carlos Drummond de Andrade bem sintomáticos do processo de debilitação das tradições religiosas. Trouxe-os para uma oportuna releitura.

O QUE FIZERAM DO NATAL

Natal.
O sino longe toca fino,
Não tem neves, não tem gelos.
Natal.
Já nasceu o deus menino.
As beatas foram ver,
encontraram o coitadinho
( Natal)
mais o boi mais o burrinho
e lá em cima
a estrelinha alumiando.
Natal.

As beatas ajoelharam
e adoraram o deus nuzinho
mas as filhas das beatas
e os namorados das filhas,
mas as filhas das beatas
foram dançar black-bottom
nos clubes sem presépio.


PAPAI NOEL ÀS AVESSAS

Papai Noel entrou pela porta dos fundos
( no Brasil as chaminés não são praticáveis),
entrou cauteloso que nem marido depois da farra.
Tateando na escuridão torceu o comutador
e a eletricidade bateu nas coisas resignadas.
Papai Noel explorou a cozinha com olhos espertos,
achou um queijo e comeu.

Depois tirou do bolso um cigarro que não quis acender,
teve medo talvez de pegar fogo nas barbas postiças
( no Brasil os Papai-Noéis são todos de cara raspada)
e avançou pelo corredor branco de luar.
Aquele quarto é o das crianças.
Papai entrou compenetrado.

Os meninos dormiam sonhando outros natais muito mais lindos
mas os sapatos deles estavam cheinhos de brinquedos
soldados mulheres elefantes navios
e um presidente da república de celulóide.

Papai Noel agachou-se e recolheu aquilo tudo
no interminável lenço vermelho de alcobaça.
Fez a trouxa e deu o nó, mas apertou tanto
que lá dentro mulheres elefantes soldados presidente brigavam por causa do
aperto.
Os pequenos continuavam dormindo.
Longe um gato comunicou o nascimento de Cristo.
Papai Noel voltou de manso para a cozinha,
apagou a luz, saiu pela porta dos fundos.

Na horta, o luar de Natal abençoava os legumes.



Pra compensar a desesperança que nos assalta hoje em dia, ainda com maior freqüência, o


POEMA DA PURIFICAÇÃO
Carlos Drummond de Andrade


Depois de tantos combates
o anjo bom matou o anjo mau
e jogou seu corpo no rio.

As água ficaram tintas
de um sangue que não descorava
e os peixes todos morreram.

Mas uma luz que ninguém soube
dizer de onde tinha vindo
apareceu para clarear o mundo,
e outro anjo pensou a ferida
do anjo batalhador.



Pra quem curte o latim, sua tradução por Silva Bélkior:

CARMEN PURIFICATIONIS

Tot ad finem praeliorum
bonus angelus malo mortem intulit
cuius corpus praeceps dedit flumini.


Evaserunt undae rubrae
sanguine perenniter,
mortui sunt et pisces omnes.


Lumen tamen unde veniens
nemo fuit qui diceret
mundo illuminando apparuit,
angelusque vulnus alter persanavit
dimicantis angeli.

(Encontrado em: http://secrel.com.br/JPoesia/)

publicado por Magaly Magalhães às 9:52 PM
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