Divulgar idéias próprias, combater o discurso invertido corrente, aprender a dividir, expor sentimentos,
trazer poesia ao dia-a-dia, eis a abrangente ação deste veículo de idéias. De tudo, um pouco - minha meta.
 

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24.8.07
 


FLORBELA SPANCA


Aliki, eis o bouquet que armei pra você, com as flores lindas que ela cultivou, regadas com as mais límpidas lágrimas de amor e dor que lhe brotaram dos olhos e que ela tão bem adubou com as filigranas sensíveis de sua alma de poeta.
Não sei se o fiz bem. É uma seleção quase impossível, e olhe que não saí dos sonetos, decididamente a forma poética em que ela se concentrou ardorosamente. Colhi-os aqui e ali, nos diversos livros que deixou e tive dificuldade de me conter, tal a atmosfera que emana de seus preciosos sonetos.

Falamos, Aliki e eu, da poetisa portuguesa Florbela Espanca, de cuja obra poética assim fala Maria Lúcia Dal Farra:
”Bíblia de iniciação amorosa, dicionário das vicissitudes da mulher, livro-de-horas da dor”.


Pena que não tenha suportado as angústias que lhe infligiu a vida (a mais grave, a morte de seu único e adorado irmão) suicidando-se aos 36 anos de idade (1930), em plena maturidade artística.
Mulher extraordinária, conseguiu imprimir à sua poesia o tom de revolta aos ritos sociais vigentes que tolhiam a condição feminina e equivaliam a uma verdadeira maldição. Como bem disse Maria Lúcia dal Farra, “Florbela consegue, através dos seus poemas, o prodígio de transmutar a histórica inatividade social da mulher em ...genuína força produtiva!”


Paro aqui para dar conta da seleção dos poemas, tirados dos volumes cronologicamente alinhados, a saber:


De TROCANDO OLHARES (1915 – 1917)

Vozes do mar

Quando o sol vai caindo sobre as águas
Num nervoso delíquio d’oiro intenso,
Donde vem essa voz cheia de mágoas
Com que falas à terra, ó mar imenso?...

Tu falas de festins, e cavalgadas
De cavaleiros errantes ao luar?
Falas de caravelas encantadas
Que dormem em teu seio a soluçar?

Tens cantos d'epopeias? Tens anseios
D'amarguras? Tu tens também receios,
Ó mar cheio de esperança e majestade?!

Donde vem essa voz, ó mar amigo?...
... Talvez a voz do Portugal antigo,
Chamando por Camões numa saudade!



De LIVRO DE MÁGOAS (1919)

Este Livro...

Este livro é de mágoas. Desgraçados
Que no mundo passais, chorai ao lê-lo!
Somente a vossa dor de Torturados
Pode, talvez, senti-lo... e compreendê-lo.

Este livro é para vós, Abençoados
Os que o sentirem, sem ser bom nem belo!
Bíblia de tristes... Ó Desventurados,
Que a vossa imensa dor se acalme ao vê-lo!

Livro de Mágoas... Dores... Ansiedades!
Livro de Sombras... Névoas... e Saudades!
Vai pelo mundo... (Trouxe-o no meu seio...)

Irmãos na Dor, os olhos rasos de água,
Chorai comigo a minha imensa mágoa,
Lendo o meu livro só de mágoas cheio!...


De SÓROR SAUDADE (1923)

Os versos que te fiz

Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que a minha boca tem pra te dizer !
São talhados em mármore de Paros
Cinzelados por mim pra te oferecer.

Têm dolência de veludos caros,
São como sedas pálidas a arder ...
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer !

Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda ...
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz !

Amo-te tanto ! E nunca te beijei ...
E nesse beijo, Amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz!


De CHARNECA EM FLOR (1931, Póstuma)

Charneca em flor

Enche o meu peito, num encanto mago,
O frêmito das coisas dolorosas...
Sob as urzes queimadas nascem rosas...
Nos meeus olhos as lágrimas apago...

Anseio!Asas abertas! O que trago
Em mim? Eu oiço bocas silenciosas
Murmurar-me as palavras misteriosas
Que perturbam meu ser como um afago!

E, nesta febre ansiosa que me invade,
Dispo a minha mortalha, o meu burel,
E, já não sou, Amor, Sóror saudade...

Olhos a arder em êxtase de amor,
Boca a saber a sol, a fruto, a mel:
Sou a charneca rude a abrir em flor!



De RELIQUIAE (1931, póstuma)

Mais alto

Mais alto, sim! mais alto, mais além
Do sonho, onde morar a dor da vida,
Até sair de mim! Ser a Perdida,
A que se não encontra! Aquela a quem

O mundo não conhece por Alguém!
Ser orgulho, ser àguia na subida,
Até chegar a ser, entontecida,
Aquela que sonhou o meu desdém!

Mais alto, sim! Mais alto! A intangível!
Turris Ebúrnea erguida nos espaços,
À rutilante luz dum impossível!

Mais alto, sim! Mais alto! Onde couber
mal da vida dentro dos meus braços,
Dos meus divinos braços de Mulher!



Pra você Aliki, com carinho.


publicado por Magaly Magalhães às 6:12 PM
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