Divulgar idéias próprias, combater o discurso invertido corrente, aprender a dividir, expor sentimentos,
trazer poesia ao dia-a-dia, eis a abrangente ação deste veículo de idéias. De tudo, um pouco - minha meta.
 

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17.9.07
 
ANA GOLDBERG
Começo com um poema que guardei para qualquer outubro e sempre deixo o outubro passar.


CANÇÃO DE OUTUBBRO

As imagens são incontroláveis
vejo-me no Parque Municipal
menina antiga
e tu, a meu lado,
com um pacote de chocolate
o pano preto do fotógrafo
fixando o instante da glória
afinal, não fui ao jardim
casa de suplício
e tu, de chapéu preto, terno preto
gravata preta
(...) tu me dás a mão
caminhamos juntos
pela avenida
eram bons aqueles tempos
(ou aflitos?)
a infância é um mistério
mesmo a teu lado
contas tudo e reduzes a nenhum
os dois mil quilômetros
que não nos separam
nunca estivemos separados
mesmo quando o entendimento
era imperfeito
sempre estás ao meu lado
ontem amanhã hoje sobretudo
dia de festa em que reúno
para oferecer-te
essas palavras de outubro.


Trecho do poema inédito “Canção de Outubro”, de Maria Julieta Drummond de Andrade - a única filha de Carlos Drummond de Andrade, que morava em Buenos Aires com o marido argentino (1955). Ausência que o pai/poeta jamais conseguiu assimilar. Tanto que, doze dias após a morte de Julieta (1987), motivada por um câncer ósseo, Drummond falecia, em 17 de agosto, aos 84 anos, por insuficiência respiratória provocada por infarto. Ele parara de tomar os remédios para o coração, pois ”não tinha mais motivos para continuar a viver”.


Não esperei por outubro porque resolvi encerrar minha carreira de blogueira e não queria deixar de passar este poema para vocês. Saio com peninha já que prezo muito o contato com os amigos que me visitam aqui. Mas é que chega um momento em que a gente precisa reestruturar-se, realizar planos postos à espera, descobrir horizontes diferentes, atender a prioridades, fazer opções.
É o que me acontece agora. A postagem, do jeito que me é possível no momento, não me satisfaz, gera mesmo um certo mal-estar.
Comecei um curso que é de extrema importância para mim e preciso de tempo para acompanhá-lo com proveito e dedicação. Não tenho muito mais tempo à minha frente, gostaria de viver esta etapa completando meus propósitos de vida.
Finalmente, foram cinco anos de fruição e cumplicidade aqui, na blogosfera.
Não vou desaparecer da internet, pois não posso prescindir dela para qualquer função que venha a exercer nesse novo território e, com certeza, passarei de vez em quando pelos blogs amigos para um alô gostoso, certo assim? Conto com a compreensão de todos vocês. Em breve, chegarei a cada um de vocês com um agradecimento especial.

E, para reverter o tom do outubro de Julieta, como para disfarçar o ranço de
despedida, recorro ao MILLÔR “POEMAS”.


A CIGARRA E A FORMIGA (1978)

Cantava a Cigarra
Em dós sustenidos
Quando ouviu os gemidos
Da Formiga
Que, bufando e suando,
Ali, num atalho,
com gestos precisos
Empurrava o trabalho;
Folhas mortas, insetos vivos.
Ao vê-la assim, festiva,
A Formiga perdeu a esportiva:
“Canta, canta, salafrária,
E não cuida da espiral inflacionária!
No inverno
Quando aumentar a recessão maldita
Você, faminta e aflita,
Cansada, suja, humilde, morta,
Virá pechinchar à minha porta.
E na hora em que subirem
As tarifas energéticas,
Verás que minhas palavras eram proféticas.
Aí, acabado o verão,
Lá em cima o preço do feijão,
Você apelará pra formiguinha.
Mas eu estarei na minha
E não te darei sequer
Uma tragada de fumaça!”
Ouvindo a ameaça
A cigarra riu, superior,
E disse com seu ar provocador:
“Estás por fora,
Ultrapassada sofredora.
Hoje eu sou em videocassete,
Uma reprodutora!
Chegado o inverno
Continuarei cantando
- sem ir lá -
No Rio,
São Paulo,
E Ceará.
Rica!
E você continuará aqui
Comendo bolo de titica.
O que você ganha num ano
Eu ganho num instante
Cantando a Coca,
O sabãozão gigante
O edifício novo
E o desodorante.
E posso viver com calma
Pois canto só pra multinacionalma.”


CUIDADO (QUEM VÊ CARA...)

O medo tem olho humano
O ódio voz de paquera
O terror cara de gente
O amor fúria de fera.


POEMINHA TIC-TAC
Ontem
O mundo de amanhã seria novo
Hoje,
O mundo de amanhã já constatado
E antes
Que novos amnhãs despontem
Há muitos que só pedem
O mundo de anteontem


POEMINHA SEM MUITA PRESSA
Num pisar que mal se ouve
Num passar que mal se vê
Tictactictactictactictac
Um dia leva você


POEMINHA SEM NEXO
JUSTIÇA

A coisa vem de longe
Do passado;
Caim nunca foi
Pronunciado



Felicidades, muitas, a todos.
Clair de Lune, de Debussy, antes do texto, lá em cima, é um presente meu para vocês.

publicado por Magaly Magalhães às 11:18 PM
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