PRAIA DE PAJUÇARA / MACEIÓ

AVISANDO
Até que enfim, posso começar a procurar meu novo paradeiro.
Daí o aviso que anuncio: vou afastar-me da internet por um bom período para dar seguimento ao meu há 6 meses anunciado triplo programa.
Cirurgia feita, ap vendido, vem agora a procura de um imóvel menor, seguida de mudança, o que vai ocupar-me totalmente, levando em conta ainda que pretendo logo em seguida ir descansar um pouco em minha terra, aonde não vou desde 1996.
Vou ter muitas saudades, mas reconheço que este descanso junto aos meus é inadiável.
Estarei de volta queimadinha, falando mais arrastado ainda e feliz que nem um anjo para retomarmos o papo blogueiro.
Deixo sinais de reminiscências que me chamam pra lá.
ENCONTRO DA LAGOA MUNDAÚ COM O MAR
NA POEIRA DO TEMPO
Tudo está tão distante!
A casa e o quintal grandes
Os barulhos domésticos
As vozes familiares
Sol ? alegria certa
Chuva ? quietude triste
Em circulação tias-avós, tios,
Irmãos, primos, agregados
As gargalhadas felizes
As implicâncias por nada
As ordens mal percebidas
Nem sempre cumpridas
Minha irmã negra (inesquecível!)
A arquitetar maravilhas
Encenando conosco a cada ano
O pastoril do Natal
*-Boa-noite, meus senhores todos
Boa-noite, senhoras também
Eu peço palmas, peço fita e flores...*
Meus pais em idílio permanente
Nas horas de alegria
Ou em perigo iminente
Tudo agora é tão longínquo!
Pingos de chuva estalam no pátio
Molhando fundo o coração da gente
As vozes estão quase indistintas...
As imagens esgarçadas
Num horizonte sem volta
Da maioria, só a memória do ontem
Diluindo-se inapelavelmente no tempo...
No ar...
1997 / Rio
PERFIL
Pequena
Formosa
Suave
Maria
Caprichos
À parte
Sensível
Maria
Atuante
Pensante
Valente
Maria
Maria sem mágoas
Maria exemplo
Maria estandarte
De força e talento
Maria de um
Maria de tantos
Maria de todos
Por fé e por Deus
Bendita Maria
Que honra me deste!
Minha mãe Maria
Maria Elisabeth
1997 /Rio
SAUDADE
de seu jeito escondido de ser,
de sua humildade altiva,
de sua grandeza disfarçada,
de sua mania de doar-se,
de jamais pensar em si mesma,
de viver a vida de cada um
a desfazer-se em atenções,
preocupações, cuidados.
Saudade
de suas emulações para que
recitássemos, cantássemos,
parecêssemos sempre gentis
e nos distinguíssemos
nas brincadeiras, no palco,
nos concursos escolares.
Você me fazia sentir a sua preferida
Hoje sei que eram equivalentes
os quinhões de amor
destinados a cada irmão.
Um dia você testemunhou
o segundo dos casamentos
com que vivia a sonhar.
Casei e voei pra longe de você.
O tempo passou célere
causando-nos os previsíveis desgastes
até um dia trazê-la de volta a mim
com a diligência de sempre
com a solicitude de sempre
com o amor de sempre,
mas com uma inquietude fluida no olhar
uma sutil insegurança nos gestos
como a pressentir
que o circuito de seu tempo
estava prestes a fechar-se.
De suas mãos de artista
brotavam flores, arranjos
accessórios, peças de artesanato.
Sábia contrapartida aos tempos adversos
como fora sempre a sua marca
Saudade, Dadá,
de suas iluminadas lições
de sabedoria, de vida.
Saudade, Dadá, de você !
SAUDADE ...
Rio / 1998
Entenderam? Precso ir lá, ressuscitar meus fantasmas tão queridos, sentir o sol, a brisa os aromas de lá. Reestruturar-me para cumprir o tempo que me for confiado pela sabedoria do NOSSOAMIGOLÁDECIMA
Fiquem bem.
Ponta Verde / Maceió
Taí, hoje estou com saudade dos ritmos nordestinsos, tanto daqueles baiões bem terra, bem chão ressecado, como dos de composição mais refinada. Tudo por causa do ASSUM BRANCO, de José Miguel Wisnik na voz suave e macia de Eveline Hecker do disco PONTE AÉREA, realização da BISCOITO FINO. E aí me vieram à lembrança tantos outros rítmos de lá : o coco, o frevo, a roda, a chegança, o forró, um mundo muito meu de onde me arredei há tanto tempo.
ASSUM BRANCO
Quando ouvi o teu cantar
Me lembrei nem sei do quê
Me senti tão-só
Tão feliz tão só
Só e junto de você
Pois o só do meu sofrer
Bateu asas e voou
Para um lugar
Onde o teu cantar
Foi levando e me levou
E onde a graça de viver
Como a chuva no sertão
Fez que onde for
Lá se encontre a flor
Que só há no coração
Que só há no bem-querer
E na negra escuridão
Assum preto foi A
sa branca dói
Muito além da solidão
Vocês merecem ouvir a música, mas não onsigo colocar. Antes de encerrar o post, vou tentar mais vezes.
E não me vou sem deixar aqui também o conhecido e reverenciado
ASSUM PRETO
Luiz Gonzaga
Tudo em vorta é só beleza
Sol de Abril e a mata em frô
Mas Assum Preto, cego dos óio
Num vendo a luz, ai, canta de dor (bis)
Tarvez por ignorança
Ou mardade das pió
Furaro os óio do Assum Preto
Pra ele assim, ai, cantá de mió (bis)
Assum Preto veve sorto
Mas num pode avuá
Mil vez a sina de uma gaiola
Desde que o céu, ai, pudesse oiá (bis)
Assum Preto, o meu cantar
É tão triste como o teu
Também roubaro o meu amor
Que era a luz, ai, dos óios meus
Também roubaro o meu amor
Que era a luz, ai, dos óios meus.

Ai, lembrar é tão gostoso!