Divulgar idéias próprias, combater o discurso invertido corrente, aprender a dividir, expor sentimentos,
trazer poesia ao dia-a-dia, eis a abrangente ação deste veículo de idéias. De tudo, um pouco - minha meta.
 

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Design de
Rossana Fischer










18.9.07
 
Aos caros amigos blogueiros,
meu respeito, meu carinho

Nesta minha proposta de pausa, eu tinha um vídeo do YouTube que foi retirado, com certeza, por validade ultrapassada. Substituo-o por uma imagem, o que vale realmente é que o faço com o mesmo apreço e sempre o mesmo empenho em acertar e agradar.

No momento da alteração, os comentários desapareceram, mas não se perderam. E como eles me são muito caros, vou voltar aqui, trazendo uma transcrição deles.

Um abraço imenso.

publicado por Magaly Magalhães às 6:19 PM
17.9.07
 
ANA GOLDBERG
Começo com um poema que guardei para qualquer outubro e sempre deixo o outubro passar.


CANÇÃO DE OUTUBBRO

As imagens são incontroláveis
vejo-me no Parque Municipal
menina antiga
e tu, a meu lado,
com um pacote de chocolate
o pano preto do fotógrafo
fixando o instante da glória
afinal, não fui ao jardim
casa de suplício
e tu, de chapéu preto, terno preto
gravata preta
(...) tu me dás a mão
caminhamos juntos
pela avenida
eram bons aqueles tempos
(ou aflitos?)
a infância é um mistério
mesmo a teu lado
contas tudo e reduzes a nenhum
os dois mil quilômetros
que não nos separam
nunca estivemos separados
mesmo quando o entendimento
era imperfeito
sempre estás ao meu lado
ontem amanhã hoje sobretudo
dia de festa em que reúno
para oferecer-te
essas palavras de outubro.


Trecho do poema inédito “Canção de Outubro”, de Maria Julieta Drummond de Andrade - a única filha de Carlos Drummond de Andrade, que morava em Buenos Aires com o marido argentino (1955). Ausência que o pai/poeta jamais conseguiu assimilar. Tanto que, doze dias após a morte de Julieta (1987), motivada por um câncer ósseo, Drummond falecia, em 17 de agosto, aos 84 anos, por insuficiência respiratória provocada por infarto. Ele parara de tomar os remédios para o coração, pois ”não tinha mais motivos para continuar a viver”.


Não esperei por outubro porque resolvi encerrar minha carreira de blogueira e não queria deixar de passar este poema para vocês. Saio com peninha já que prezo muito o contato com os amigos que me visitam aqui. Mas é que chega um momento em que a gente precisa reestruturar-se, realizar planos postos à espera, descobrir horizontes diferentes, atender a prioridades, fazer opções.
É o que me acontece agora. A postagem, do jeito que me é possível no momento, não me satisfaz, gera mesmo um certo mal-estar.
Comecei um curso que é de extrema importância para mim e preciso de tempo para acompanhá-lo com proveito e dedicação. Não tenho muito mais tempo à minha frente, gostaria de viver esta etapa completando meus propósitos de vida.
Finalmente, foram cinco anos de fruição e cumplicidade aqui, na blogosfera.
Não vou desaparecer da internet, pois não posso prescindir dela para qualquer função que venha a exercer nesse novo território e, com certeza, passarei de vez em quando pelos blogs amigos para um alô gostoso, certo assim? Conto com a compreensão de todos vocês. Em breve, chegarei a cada um de vocês com um agradecimento especial.

E, para reverter o tom do outubro de Julieta, como para disfarçar o ranço de
despedida, recorro ao MILLÔR “POEMAS”.


A CIGARRA E A FORMIGA (1978)

Cantava a Cigarra
Em dós sustenidos
Quando ouviu os gemidos
Da Formiga
Que, bufando e suando,
Ali, num atalho,
com gestos precisos
Empurrava o trabalho;
Folhas mortas, insetos vivos.
Ao vê-la assim, festiva,
A Formiga perdeu a esportiva:
“Canta, canta, salafrária,
E não cuida da espiral inflacionária!
No inverno
Quando aumentar a recessão maldita
Você, faminta e aflita,
Cansada, suja, humilde, morta,
Virá pechinchar à minha porta.
E na hora em que subirem
As tarifas energéticas,
Verás que minhas palavras eram proféticas.
Aí, acabado o verão,
Lá em cima o preço do feijão,
Você apelará pra formiguinha.
Mas eu estarei na minha
E não te darei sequer
Uma tragada de fumaça!”
Ouvindo a ameaça
A cigarra riu, superior,
E disse com seu ar provocador:
“Estás por fora,
Ultrapassada sofredora.
Hoje eu sou em videocassete,
Uma reprodutora!
Chegado o inverno
Continuarei cantando
- sem ir lá -
No Rio,
São Paulo,
E Ceará.
Rica!
E você continuará aqui
Comendo bolo de titica.
O que você ganha num ano
Eu ganho num instante
Cantando a Coca,
O sabãozão gigante
O edifício novo
E o desodorante.
E posso viver com calma
Pois canto só pra multinacionalma.”


CUIDADO (QUEM VÊ CARA...)

O medo tem olho humano
O ódio voz de paquera
O terror cara de gente
O amor fúria de fera.


POEMINHA TIC-TAC
Ontem
O mundo de amanhã seria novo
Hoje,
O mundo de amanhã já constatado
E antes
Que novos amnhãs despontem
Há muitos que só pedem
O mundo de anteontem


POEMINHA SEM MUITA PRESSA
Num pisar que mal se ouve
Num passar que mal se vê
Tictactictactictactictac
Um dia leva você


POEMINHA SEM NEXO
JUSTIÇA

A coisa vem de longe
Do passado;
Caim nunca foi
Pronunciado



Felicidades, muitas, a todos.
Clair de Lune, de Debussy, antes do texto, lá em cima, é um presente meu para vocês.

publicado por Magaly Magalhães às 11:18 PM
4.9.07
 


Alex Vallauri Sem título Mista sobre papel

Compartilhando

Estou aqui, diante da tela, sem tempo de elaborar ou mesmo pesquisar um texto interessante para vocês, pacientes que têm sido com esta minha marcha lenta, de intervalos cada vez mais longos. Veio-me, então, uma idéia: quem sabe, vocês curtiriam uns poemas meus mais antiguinhos, talvez de uma época em que eu me cobrasse muito menos, o que pode desmerecer a qualidade, mas salvaguarda a espontaneidade.
Nunca escrevi nada com intenção de publicar, reunir em livro; era só pra consumo íntimo, pra família. E demorei a trazê-los pra cá. Com o tempo, a confiança na tolerância dos leitores foi-se estabelecendo e, a partir de certa altura, aos poucos, comecei a mostrá-los. Agora, restam esses mais antigos, mais ingênuos, anteriores às duas grandes perdas de membros da família que me abalaram sobremodo.


MEUS AMORES

São sete “figuras”
São sete azougues
Vocês vão gostar :
Meus sete amores

João vem primeiro
Único varão
Dos quatro pimpolhos
De uma estação

Helena e Lígia
Sucedem a João
Por último vem
Luísa – Ação !

Agora, atenção !
É a gata Laurinha
Que puxa a linha
Da outra estação

Quem segue atrás
Vocês não calculam
É o Bê, é a Duda
Tremendo cartaz !

Leninha é mestra
Na dança e no resto
Lígia, peça-chave
Em qualquer projeto

Luluca calcula
Bê traça e pinta
Dudinha desfila
Laurinha é artista

João pinta, disputa
Helena estuda
Liginha dirige
Com pulso e batuta

Laurinha se expressa
Bê fala o exato
Luluca observa
Dudinha quer palmas

Coruja” não sou
Não pensem tão mal
São sete amores
De graça infernal !

1998 / Rio


CANTIGA TRISTE

Está tarde, está frio
Tão escuro, tão sombrio!
Quem vem afagar-me a testa?
Quem vem encher-me o vazio?

O vento geme lá fora
A chuva fria não pára
Meu coração também geme
geme baixinho e cala

Por que chora a natureza?
Por que o vento fustiga?
Tem coração o mundo?
Tem o vento o dom da intriga?

Como estou triste, eu choro
Não posso culpar ninguém
Nem a chuva, nem o vento
Nem o mundo, nem meu bem

Choro, porque estou triste

1998 / Rio


AMOR – AMANTE

É a hora da aurora
é a aurora do instante
que sutil se incorpora
ao tempo do amor-amante

É a hora da visão
é a visão do exato
poder do amor em ação
gerando vida num ato

Que paire sobre os amantes
a consciência dos passos
dados em febris instantes

Vida é termo sagrado
fruto de plano divino
Que se lhe dê fino trato ...

1999 / Rio



PARADOXO

Sou ( ... ) a soma dos descaminhos
a contradição em progressso

Afonso Romano de Sant´Anna

Somos...

a mão que guia
a voz que orienta
o ombro que acolhe
o gesto que atende
a força que estimula
a calma que embala

ou...

a mão que paralisa
a voz que adultera
o ombro que se esquiva
o gesto que ameaça
a força que corrompe
a calma que abala

Contradição humana!
Há caminhos
e muitos descaminhos

Somos o somatório dessas posturas
empenho em crescer
crescer sem desempenho

Humano, “demasiadamente humano”,
resgatando o filósofo
voltando ao poeta.

2.000 / Rio

Está de bom tamanho? Vou guardar os que faltam para outro dia de ‘hibernação’. Não me queiram menos bem por infligir-lhes esta minha inspiração canhestra. Prometo que o próximo post de poemas vai ser de poemas maiúsculos, como foi o caso do anterior.

Ih! Agora que me toquei! Sou louca! Logo em seguida a um expoente da Poesia Lusa!

Senilidade declarada. Mil perdões.


publicado por Magaly Magalhães às 9:05 PM
24.8.07
 


FLORBELA SPANCA


Aliki, eis o bouquet que armei pra você, com as flores lindas que ela cultivou, regadas com as mais límpidas lágrimas de amor e dor que lhe brotaram dos olhos e que ela tão bem adubou com as filigranas sensíveis de sua alma de poeta.
Não sei se o fiz bem. É uma seleção quase impossível, e olhe que não saí dos sonetos, decididamente a forma poética em que ela se concentrou ardorosamente. Colhi-os aqui e ali, nos diversos livros que deixou e tive dificuldade de me conter, tal a atmosfera que emana de seus preciosos sonetos.

Falamos, Aliki e eu, da poetisa portuguesa Florbela Espanca, de cuja obra poética assim fala Maria Lúcia Dal Farra:
”Bíblia de iniciação amorosa, dicionário das vicissitudes da mulher, livro-de-horas da dor”.


Pena que não tenha suportado as angústias que lhe infligiu a vida (a mais grave, a morte de seu único e adorado irmão) suicidando-se aos 36 anos de idade (1930), em plena maturidade artística.
Mulher extraordinária, conseguiu imprimir à sua poesia o tom de revolta aos ritos sociais vigentes que tolhiam a condição feminina e equivaliam a uma verdadeira maldição. Como bem disse Maria Lúcia dal Farra, “Florbela consegue, através dos seus poemas, o prodígio de transmutar a histórica inatividade social da mulher em ...genuína força produtiva!”


Paro aqui para dar conta da seleção dos poemas, tirados dos volumes cronologicamente alinhados, a saber:


De TROCANDO OLHARES (1915 – 1917)

Vozes do mar

Quando o sol vai caindo sobre as águas
Num nervoso delíquio d’oiro intenso,
Donde vem essa voz cheia de mágoas
Com que falas à terra, ó mar imenso?...

Tu falas de festins, e cavalgadas
De cavaleiros errantes ao luar?
Falas de caravelas encantadas
Que dormem em teu seio a soluçar?

Tens cantos d'epopeias? Tens anseios
D'amarguras? Tu tens também receios,
Ó mar cheio de esperança e majestade?!

Donde vem essa voz, ó mar amigo?...
... Talvez a voz do Portugal antigo,
Chamando por Camões numa saudade!



De LIVRO DE MÁGOAS (1919)

Este Livro...

Este livro é de mágoas. Desgraçados
Que no mundo passais, chorai ao lê-lo!
Somente a vossa dor de Torturados
Pode, talvez, senti-lo... e compreendê-lo.

Este livro é para vós, Abençoados
Os que o sentirem, sem ser bom nem belo!
Bíblia de tristes... Ó Desventurados,
Que a vossa imensa dor se acalme ao vê-lo!

Livro de Mágoas... Dores... Ansiedades!
Livro de Sombras... Névoas... e Saudades!
Vai pelo mundo... (Trouxe-o no meu seio...)

Irmãos na Dor, os olhos rasos de água,
Chorai comigo a minha imensa mágoa,
Lendo o meu livro só de mágoas cheio!...


De SÓROR SAUDADE (1923)

Os versos que te fiz

Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que a minha boca tem pra te dizer !
São talhados em mármore de Paros
Cinzelados por mim pra te oferecer.

Têm dolência de veludos caros,
São como sedas pálidas a arder ...
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer !

Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda ...
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz !

Amo-te tanto ! E nunca te beijei ...
E nesse beijo, Amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz!


De CHARNECA EM FLOR (1931, Póstuma)

Charneca em flor

Enche o meu peito, num encanto mago,
O frêmito das coisas dolorosas...
Sob as urzes queimadas nascem rosas...
Nos meeus olhos as lágrimas apago...

Anseio!Asas abertas! O que trago
Em mim? Eu oiço bocas silenciosas
Murmurar-me as palavras misteriosas
Que perturbam meu ser como um afago!

E, nesta febre ansiosa que me invade,
Dispo a minha mortalha, o meu burel,
E, já não sou, Amor, Sóror saudade...

Olhos a arder em êxtase de amor,
Boca a saber a sol, a fruto, a mel:
Sou a charneca rude a abrir em flor!



De RELIQUIAE (1931, póstuma)

Mais alto

Mais alto, sim! mais alto, mais além
Do sonho, onde morar a dor da vida,
Até sair de mim! Ser a Perdida,
A que se não encontra! Aquela a quem

O mundo não conhece por Alguém!
Ser orgulho, ser àguia na subida,
Até chegar a ser, entontecida,
Aquela que sonhou o meu desdém!

Mais alto, sim! Mais alto! A intangível!
Turris Ebúrnea erguida nos espaços,
À rutilante luz dum impossível!

Mais alto, sim! Mais alto! Onde couber
mal da vida dentro dos meus braços,
Dos meus divinos braços de Mulher!



Pra você Aliki, com carinho.


publicado por Magaly Magalhães às 6:12 PM
19.8.07
 

Santa Maria, mãe de Deus, intercedei pelos que sofrem atngidos pelo terremoto no Peru, dai-lhes a força necessária para que eles se reergam com coragem e fé.


publicado por Magaly Magalhães às 9:07 PM
10.8.07
 




Manabu Mabe Abstrato Óleo sobre tela



DOIS POETAS BRASILEIROS


Saudade de falar de poesia, de ler poemas quentes, mágicos, engraçados, líricos. Escolhi dois poetas, um carioca e um baiano, ambos excelentes e, com certeza, conhecidos de vocês – Alexei Bueno e Luís Antônio Cajazeira Ramos.

ALEXEI BUENO


PERGUNTA

Será realmente a face do Universo
A face da Medusa,
Esta geral destruição confusa,
Este criar perverso,
Ou será a máscara, álgida e estrelada,
Onde os cometas passam,
Turva de treva, rútila de nada,
E onde olhos se espedaçam?
(De Lucernário)


L. A. CAJAZEIRA RAMOS


ANÁTEMA

Vogo na idéia vaga e vã do eu,
como se houvesse em mim um ser e um cerne,
uma alma inominada, em corpo inerme,
amálgama de fiat lux et breu.

Mimo a mim mesmo com um mimoso engano:
que o mundo existe como um fato meu;
que a vida é a imagem de ilusório véu,
tecido por mim (fio) o mundo (pano).

Fio-me que penso e existo e assim sou algo;
desfio meus véus, em busca de meu âmago,
mas desconfio que apenas seja imago...

Meu sumo é um oco totem hamletiano.
Do imane e ameno cenho, emana a senha:
a senda é ser não sendo (ou seja eu sonho).

(de Fiat Breu)


Alexei Bueno publicou, entre outros livros, As Escadas da Torre, 1984, Poemas Gregos, 1985, Nuctemeron, 1987, A decomposição de J. S. Bach e Outros Poemas, 1989, Magnificat, 1990, O Aleijadinho, roteiro cinematográfico, 1991, A chama Inextinguível, 1992, Lucernário, 1993, A Via Estreita, 1995, A Juventude dos Deuses, 1996, Entusiasmo, 1997. Como editor da Nova Aguilar. organizou a Obra completa de Augusto dos Anjos, 1994, a Obra completa de Mário de Sá-Carneiro, 1995, a atualização da Obra completa de Cruz e Sousa, 1995, a Obra reunida de Olavo Bilac, 1996, a Poesia completa, de Jorge de Lima, a Obra completa, de Almada Negreiros, 1997, a Poesia e prosa completas de Gonçalves Dias, 1998, e a nova edição de Poesia completa e prosa, de Vinicius de Moraes, neste mesmo ano. Publicou também, pela Nova Fronteira, Grandes poemas do Romantismo brasileiro, 1994, e uma edição comentada de Os Lusíadas, 1996. Traduziu As quimeras, de Gérard de Nerval, editado pela Topbooks, também com edição portuguesa, bem como, pela Lacerda Editores, a primeira edição brasileira, prefaciada e anotada, da História Trágico-Marítima

Mais um poema de Alexei Bueno:

A FLORBELA ESPANCA


Amada, por que eu tive a tua voz
Depois que o Nada teve a tua boca?
A lua, em sua palidez de louca,
Brilha igual sobre mim, e sobre nós!...

Porém como estás longe, como o algoz
De um só golpe sem fim — a Morte — apouca
Os gritos dos que esperam, a ânsia rouca
Dos que atrás têm seu sonho, os grandes sós!

Aqui não brilha o mundo que engendraste
Como o manto de um deus, e astros sangrentos
Não nos rolam nas mãos da imensa haste.

E só estes olhos meus, que nunca viste,
Se incendeiam, vitrais na noite atentos,
Voltados para o chão aonde fugiste!



Marco Luchesi

fala de Alexei Bueno em sua crítica a Via Estreita

A Via Estreita de Alexei Bueno é uma obra-prima. Nem mais. Nem menos. Trata-se de um poema total. Como o de um Coleridge ou de um Hölderlin, das grandes elegias. Alta metafísica, como a de um Hopkins. Densa como a de um Betocchi. Ampla como a de um Khliébnikov. Apenas poesia. Eis a sua radicalidade. Apenas. Nada mais claro e mais misterioso, mais literal e mais alegórico, mais profundo e mais direto do que A Via Estreita. E por quê? Porque existe um momento na vida do filósofo em que ele "deixa de ser" filósofo. Assim aconteceu com o Bachelard noturno, o da Poética do Espaço (e aqui seu pensamento abriu fronteiras). O mesmo vale para o poeta. Penso no Jorge de Lima dos XIV alexandrinos e no Jorge de Lima da Invenção de Orfeu.
Clique aqui para a continuar a leitura



Luís Antonio Cajazeira Ramos nasceu em 12 de agosto de 1956 em Salvador, onde ainda reside. Mantém vínculo com a UCSAL como professor. É funcionário do Banco Central do Brasil, membro da Ordem dos Advogados do Brasil, sócio do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia e componente do conselho editorial de Iararana, revista de arte, crítica e literatura.
Despertou para a poesia na idade adulta. Estreou com o livro Tudo Muito Pouco (Cruz das Almas, 1983), mas rasgou e queimou quase toda a edição, abandonando a poesia por uma década. Voltou a escrever intensamente em 1995. Re-estreou com Fiat Breu (Salvador: Edições Papel em Branco, 1996). Em seguida, lançou Como Se (Salvador: Letras da Bahia, 1999), menção honrosa no Prêmio Nacional Cruz e Sousa, da Fundação Catarinense de Cultura, em 1998; Temporal Temporal (Rio de Janeiro: Relume Dumará, 2002), ganhador do Prêmio Nacional Gregório de Matos, da Academia de Letras da Bahia, em 2000; Mais que sempre (Rio de Janeiro: 7Letras, 2007)
Seus críticos destacam “seu domínio da linguagem, sua sensibilidade lírica, seu trânsito entre o sublime e o profano, entre o erudito e o vulgar, sua expressão ao mesmo tempo clássica e contemporânea, seu humor entre o riso e o sarcasmo, sua predileção pelo soneto e pela subjetividade lírica, seu discurso que une clareza e complexidade, sua poética com luz própria e personalidade”.
Para o crítico Aleilton Fonseca, sua “múltipla e inquieta poesia é rica em motivos e recursos, sendo ele um “poeta de vivências, de observação e de indagações existenciais”, cujos “temas são verdadeiros mergulhos da razão e do sentimento na essência e circunstâncias da vida”, com “riqueza semântica e metafórica, numa conformação de linguagem que sugere multíplices direções de leitura”, aberta ao “contínuo exercício de construir, lapidar e re-significar”, num “processo que é a força-motriz de sua criação”.

Mais um poema de Cajazeira Ramos:

LABIRINTO

Há dias em que chove (há dias chove
assim) como se pétalas (ou mais
que flores: flores!) lá do céu (além
do Universo sem fim) lançassem pólen.

Quem joga sobre mim (a luz divina
vive?) a chama (no fogo, Belzebu
sobrevive?) do olhar (serei guru
do apocalipse?) que no amor se anima?

Meus castelos de areia (sem cimento),
com muralha de aléias (feita a vento),
têm janelas pra dentro (porta afora).

(É melhor que me cale!) Digo mais:
(será sonho ou verdade?) terei paz
(tudo bem: tanto faz) se amar agora.




Alexei fala de Cajazeiraeira (sobre o Fiat Breu)


Luís Antonio Cajazeira Ramos, nos vivíssimos poemas de Fiat Breu, revela-se, acima de tudo, como um poeta das formas fixas. Não que não seja plenamente eficaz nos versos livres, que também existem no volume, mas é nas formas tradicionais, e sobretudo no soneto, que a sua verve, a sua dicção fortemente pessoal, melhor se revela. Continue lendo aqui


Cajazeira Ramos entrevista Alexei Bueno

Luís Antonio Cajazeira Ramos - Uma obra tão volumosa nessa pouca idade, você é poeta full time, compulsivo? Alexei Bueno - Não, de maneira alguma. Entre o final dos anos 70 até meados de 80, posso dizer que escrevi com certa regularidade. Depois disso, e cada vez mais, escrevo mais ou menos por crises, ou seja, quando implacavelmente baixa o santo, aquele momento - tradicionalmente chamado de inspiração, perfeitamente conhecido desde os gregos e negado pelos idiotas - em que todas as reservas emocionais e intelectuais há muito acumuladas, em latência, se reúnem para a eclosão de determinada obra de arte. De 90 a 91 não escrevi uma linha, o mesmo de 94 a 95. Não tenho qualquer compulsão, apenas certa angústia com a passagem do tempo.
Termine de ler a entrevista aqui

publicado por Magaly Magalhães às 6:41 PM
2.8.07
 

Dudinha, em sua homenagem, a sua banda favorita. Nesta homenagem, incluo sua mãe de quem subtraí fotos de alguns trabalhos para a colagem que encima o post a você dedicado.
No fundo, no fundo, vocês serão sempre minhas eternas garotinhas.
Magaly


publicado por Magaly Magalhães às 6:16 PM
1.8.07
 
Uma colagem com trabalhos da artista plástica Elisa de Magalhães, um deles premiado no Salão de Curitiba no ano de 2.002 (fotos captadas por câmera pinlole)


Não quero que pareça vaidade de vó. Procuro me comportar dentro de um quadro de humildade, tanto quanto a humana condição mo permita. É que ganhei um presente da minha neta caçula, um presente inesperado, um conto, que me deixou extremamente jubilosa. Um conto com alguma densidade para uma garota de 15 anos.. Guardei-o na gaveta de minha mesa de trabalho, o mais perto possível de mim. Lá se vão quase cinco meses, desde o meu aniversário de oitenta anos.
Inesperado, fato inesperado acontece! A gaveta torna-se pequena para contê-lo. Acreditem, ele toma todo o espaço livre da gaveta! Tenho que dá-lo à luz, liberá-lo para vocês, que mostraram recentemente que entendem e aceitam os arroubos das avós, principalmente daquelas que já se enquadram na categoria de longevas.
Partilho, então, meu presente com vocês.

A Moça do 401

Eu morava em Botafogo, na rua Barão de Lucena, em um prédio com 18 andares, no apartamento 301. Aquela rua tinha uma série de prédios com a mesma estrutura e todos possuiam um nome de uma cidade de Minas Gerais; era Congonhas do Campo, Barbacena, São João Del Rei.
Eu gostava de ficar na varanda, era pequena, de azulejo amarelo, grade marrom, nada de especial, mas eu ia lá todos os dias. Simplesmente gostava de ficar observando a rua e a calçada em frente, que parecia um espelho da calçada em que eu morava, pois ambas tinham prédios iguais, com nomes de cidades mineiras e varandinhas agradáveis.
Um belo dia, eu comecei a reparar nas varandinhas do prédio em frente e deduzir a vida das pessoas; dei nomes, profissões, filosofias de vida; eram todos personagens. Foi quando eu percebi a moça do 401. Todos os das, ela ia para a varanda, por volta das sete horas da noite e andava de um lado para o outro em sua camisola branca, pensando, como se estivesse tomando decisões que mudariam a sua vida. Até que parava no canto da varandinha, olhava para baixo durante uns vinte minutos, depois continuava a andar de um lado para o outro, durante uma hora; e entrava.
Não conseguia mais parar de pensar naquela moça, o que será que há com ela? Fui criando milhares de hipóteses absurdas, ou não. Eu, porém, nunca havia percebido que, na janela ao lado da varanda, estava sempre uma televisão ligada e a luz apagada.Presumi que outra pessoa morava com ela...marido? Filho? Empregada? Tudo passava pela minha cabeça.
Eu tinha alguns amigos naquele prédio e, quando perguntava se eles já a tinham observado, me chamavam de louca (E quem não é?). Confesso que me senti um tanto insana, culpa deles, mas não deixei de observar a moça do 401, queria saber por que, por que ela fazia a mesma coisa todos os dias? Quem morava com ela?
Eu não conseguia fazer dela um personagem, eu simplesmente precisava saber a verdade, era como um desvio, ela podia até tornar-se um personagem, mas de uma história verídica; e histórias com base em hipóteses não são tão verdadeiras assim.
Lembro-me até hoje da data, 12 de abril de 1998, neste dia, eu recebi um bilhete escrito: “Obrigada, ass. Lúcia”; não entendi e guardei o bilhete em uma caixinha, esperando uma explicação. Às sete horas da noite deste mesmo dia, eu já estava na varanda, com meu bloquinho vermelho e um lápis, tentando desvendar o mistério da moça do 401. Ela entrou na varanda, andou de um lado para o outro, parou, olhou para baixo, olhou pela primeira vez para mim, com olhos profundos e cheios de lágrimas e pulou. Fiquei móvel, não conseguia gritar, chorar, me mexer, somente olhar.
Uma gota de lágrima escorreu pelo meu rosto. Lúcia sempre soube que eu estava lá.


Não espero comentários elogiosos. Quero só que entrem nesta onda de euforia, nesta tendência em ver beleza nos gestos simples, no incipiente esforço por expressão própria, na abertura para o crescimento, para a Vida com seus mistérios, paixões e glórias.

A minha mocinha - como está agora, aos dezesseis.


publicado por Magaly Magalhães às 4:22 PM
26.7.07
 
Vovó, Vovó Vovó
VOV´S
Oil Painting

É, hoje é o dia da avó e, portanto, o dia da Vov´s que é como me chamam meus netos. E como é rica esta experiência que tive a ventura de repetir sete vezes. É a experiência do amor maduro, do amor solto, leve, sem o peso da responsabilidade total do amor materno.
E como é gostoso agora vê-los adultos, sonhadores, batalhadores, uma dádiva dos céus. Só que cheguei até agora sem um/a bisnetinho/a e olhem que já tenho os meus cajus. Mas sou paciente e posso esperar.
Vejam alguns registros da pândega que invariavelmente faziam na hora das fotos. Agora meus netos estão na faixa de 16 a 23, aos meus olhos irresistíveis, maravilhosos. E tem mais : praticamente dobrado esse número sete, com a inserçâo de namorados/as. É uma loucura!
Viva o dia das avós!


publicado por Magaly Magalhães às 9:54 PM
17.7.07
 
Aldemir Martins Paisagem Acrílico sobre tela
Dia de papo bem informal sobre assuntos diversos

Como conversa inicial, quero repetir a indicação do Portal da Estante. Site utilitário, é uma boa pedida para os que têm predileção por leitura de forma permanente .

Estante Virtual: sebos online.


O site Estante Virtual reúne virtualmente os acervos de 574 sebos e oferece um milhão de livros online e mais de dez milhões para aquisição offline.

***
Saindo da Copa América de alma lavada, vendo o Brasil bater na Azulzinha sem dó nem piedade? Ai, que alívio no peito, que forma mágica de induzir a gente a confiar no Dunga como técnico!


E de PAN? Como estamos? Comparecendo? Vendo a trnasmissão pela TV? Aplaudindo com intensidade e entusiasmo em busca de mais ouro para melhorar nossa classificação, o que já não é só desejo, pois de ontem pra cá já são mais 7 medalhas de ouro e o terceiro lugar na classificação geral, só abaixo de Estados Unidos e Cuba?


É, mas há as notícias que maltratam como o terremoto que abalou o Japão e avariou a maior usina nuclear do mundo, fazendo algumas mortes, um número altíssimo de feridos, vazamento de materiais radioativos .
Sofrimento, muito sofrimento e imensos prejuízos materiais.
E agora outro desastre aéreo! Em tão pouco tempo! Incêndio! Vejo pela TV! Meu Deus, que horror! Como aceitar o que está acontecendo? Então a vida humana não tem valor? A crise no setor da aviação arrasta-se perigosamente. Soluções paliativas não resolvem problemas sérios.
Pelos imolados e suas famílias, pelo sofrimento de todos os afetados, nosso grande pesar e nossas preces sentidas, partidas do coração.
Que Deus os guarde.

publicado por Magaly Magalhães às 11:46 PM
15.7.07
 
Enrico Bianco Vaso com flores


Estão aqui, trouxe-as juntas para vocês. Mãe e filha cantando num mundo bonito como quê - Kelce e Angra.


Que graciosas, não?


O título do vídeo é A Pequena Sereia 2.


publicado por Magaly Magalhães às 11:43 PM
8.7.07
 

Uma voz maviosa, uma interpretação cuidada, um ritmo marcado e vibrante. Repito. Tudo de apurado bom gosto.

É a Kelce Moraes apresentando a primeira música de seu CD ENCANTADO


publicado por Magaly Magalhães às 3:41 AM
7.7.07
 
QUE DIA É HOJE?


publicado por Magaly Magalhães às 1:49 AM
27.6.07
 
ENCANTADO





Que voz privilegiada! Que nível de sonoridade! Que interpretação delicada! Está aí o YouTube para assegurar que não exagero quando afirmo que se trata de elemento vocal de primeira categoria.
Falo de Kelce Moraes e seu belo CD cujo título, ENCANTADO, sugere perfeitamente a reação que se tem ao ouvi-lo. Este seu novo trabalho reúne doze lindas composições, três das quais levam seu nome como compositora e letrista; e em sete, assina as letras e conta com a parceria musical de Roberto Lampé. Há uma assinada por Roberto Lampé e César Lampé e, finalmente a de João Pinheiro, André Agra e Alexandre Loro. As doze letras podem ser encontradas
neste site : Avesso, Brasil no Tom, Cauby, Espírito Seu, Flor de Um Dia, Frágil, Pássaro Amarelo, Poesia Noturna, Qualquer Nota, Sonhei com Você, Tô na Lona.

ENCANTADO guarda ainda um encanto todo especial: seu projeto gráfico é obra de Angra Moraes, a adolescente filha de Kelce, dona também de uma portentosa voz e de grande talento para a arte gráfica.

Kelce, cantora, compositora, produtora, arranjadora começou sua carreira artística no início da década de 1980. Entre os anos de 1983 e 2003, participou de diversos festivais de música como intérprete e compositora. Nesta fase, colaborou também em discos de outros cantores, como foi o caso do cantor e compositor Rodrigo Santiago para quem compôs arranjos.
Seu trabalho A DONA DA CANÇÃO, em parceria com Roberto Lampé, de 2005, é uma produção independente. Ela ainda assina ANGRA e FRÁGIL, esta, também com Roberto Lampé.
(Os dados deste parágrado foram colhidos em : Dicionário Cravo Albin MPB)

De tudo que pude apurar ao procurar conhecer melhor o trabalho da cantora, posso dizer sem medo de errar que Kelce é a personificação da pessoa antenada com o seu tempo. Dedicando-se intensamente à sua música, ainda assim, ela encontra tempo para atuar na internet, interagindo com desenvoltura em várias comunidades do Orkut, onde já existem comunidades criadas para ela própria, tendo como principal tema o seu trabalho musical. E ainda usa sua capacidade de interlocutora para, dentro e fora da internet, expressar-se sobre os problemas comportamentais que afligem nosso meio social.

Brindemos nossa cantora e façamos conhecido seu ENCANTADO. Estaremos, assim, credenciando um verdadeiro valor no meio musical.

No meio orkutiano, deve-se a Marcelo Barboza a criação da comunidade Kelce Moraes – Encantado voltada para o CD ENCANTADO, de KELCE MORAES. “Lançado no início de 2007. este trabalho conta com um repertório impecável, com músicas como PÁSSARO AMARELO, ESPINHO SEU e CAUBY, de autoria da própria Kelce, poesia pura. POESIA NOTURNA, BRASIL NO TOM, SONHEI COM VOCÊ, QUALQUER NOTA, AVESSO, FRÁGIL e SIMPLICIDADE, de Kelce em parceria com ROBERTO LEMPÉ, união perfeita de poesia e musicalidade. Também de ROBERTO LEMPÉ, desta vez com CÉSAR LEMPÉ, a música TÔ NA LONA, mantendo o nível de ótimas canções. E, completando as 12 faixas do
CD, a música FLOR DE UM DIA, de JOÃO PINHEIRO, ANDRÉ AGRA e ALEXANDRE LORO, linda e delicada, obra-prima!”

Transcrevo aqui alguns dos comentários registrados na comunidade Kelce Moraes, ENCANTADO.


Paulo Peres :

“O cd está maravilhoso. O excelente conteúdo poético-musical, tem na sua voz a dádiva que faltava para reger os diversos estilos populares da legítima, imortal e magnífica Música Brasileira.”

André Campello:

ENCANTADO é um ótimo CD não apenas pela maravilhosa voz da cantora, mas também pelas belíssimas músicas, que passeiam por variados ritmos e andamentos, adornados por arranjos formidáveis, ora pelo arrojo e complexidade, ora pela simplicidade necessária e oportuna, deixando as músicas sem arestas, sem exageros nem lacunas a serem preenchidas.
ENCANTADO é um disco que se ouve sem sustos, tem um encadeamento lógico e confortável, apesar da diversidade musical. É visível o cuidado e o carinho com que foi feito.
Por fim, ENCANTADO é um excelente disco também pelo projeto gráfico, de muito bom gosto no tratamento das fotos e sua distribuição, a escolha das cores, tipo das letras etc.
Destaque para a 11ª música: CAUBY - Linda composição, muito bem arranjada.
Parabéns, Kelce Moraes, só por esse trabalho você deveria ocupar um lugar de destaque no cenário da MPB. O único defeito do seu disco é não ter sido lançado antes

Ricardo Bauler


"... não paro de ouvir! Recebi da Kelce o CD e até agora estou também ‘encantado’!
Em relação às músicas, deixo destaque pra música AVESSO que é, na minha opinião, a mais bonita e que me emocionou. Gostei muito também de Pássaro Amarelo e Poesia Noturna. Todas são ótimas, mas deixo destaque para as citadas acima.
Quanto à voz da cantora, nem preciso falar. PERFEITA!!!
Ah, não posso me esquecer, parabenizo também a minha amiga Angra Moraes pelo projeto gráfico, design e direção de fotografia!
Parabéns, Kelce, que você continue com seu trabalho tão bonito e muito, muito sucesso!”

Rafael Barroso:

“A sofisticação alcançada, em todas as músicas, elevando esse registro discográfico a uma linguagem UNIVERSAL, manteve, assim mesmo, uma fidelidade total à mais pura brasilidade na identidade de cada canção.Parabéns! Parabéns!A todos os envolvidos nesse trabalho, ENCANTADO.”

*************************************


O CD está à venda nos endereços abaixo:


MODERN SOUND
Rua Barata Ribeiro, 502 D
Copacabana - Rio de Janeiro
Tel. 25485005


Banca DEDOS DO TEMPO
Rua Joana Angélica / Ipanema (em frente ao n/192) - R J.

*************************************


Visitem o site da Kelce:
http://www.kelcemoraes.cjb.net/

Visitem seu blog:
http://www.ospassosnapararela.blig.com.br/





A bela música AVESSO pode ser ouvida ainda nos endereços:



http://www.bedavavideo.eu/video-izle.asp?@BMIXvOtXw20+Avesso---Kelce-Moraes

http://www.hosla.com/index.cfm?method=watch_video&searchvideo=Avesso

http://www.berm.co.nz/cgi-bin/video/play.cgi?BMIXvOtXw20

com a imagem abaixo:





publicado por Magaly Magalhães às 9:09 PM
23.6.07
 

Meguinha, sei que vai gostar.
Com meu bem-querer


publicado por Magaly Magalhães às 11:58 AM

 


THE FLY

Litle fly,
Thy summer´s play
My thoughtless hand
Has brushed away

Am not I
A fly like thee?
Or art not thou
A man like me?

For I dance
And drink and sing,
Till some blind hand
Shall brush my wing.

If thought is life
And strength and breath,
And the want
Of thought is death,

Then am I
A happy fly
If I live
Or if I die.

WILLIAM BLAKE



Para você, minha amiga Meg, que ama Blake, que ama anatureza, que ama a vida, que merece toda a felicidade do mundo

FELIZ ANIVERSÁRIO!

publicado por Magaly Magalhães às 11:42 AM
22.6.07
 

Uma voz que se impôs e deixou grande saudade


publicado por Magaly Magalhães às 12:06 AM
21.6.07
 

Que singeleza de música e letra!


publicado por Magaly Magalhães às 11:19 PM

 
Oil Paintings Classic Figures - Portrait

Eu, pensando...

Chegou a hora do post da 3ª semana do mês e a minha cabeça, vazia, vazia.
Uma idéía me ocorreu. Fui à pasta Quarentena em Meus documentos e dei com um poema que fizera no começo de junho. Ali estava para ser visitado, revisitado, mexido, amaciado até pegar a forma final. Achei que já podia sair do forno.
E é isso que lhes venho oferecer com humildade um pensamento meu, arrumadinho em versos singelos, facilmente digeríveis


Este Insano Mundo

Soltas, voláteis, tantas as idéias.
Difícil aprisioná-las, contê-las.
Fugidias, não se deixam prender,
não se deixam enredar.

As palavras, gastas, vazias,
jazem sem fôlego, sem autenticidade,
à espera de uma centelha nova
que lhes instile força e energia.

Concede-nos, então, Senhor,
Ainda que fortuitamente,
o dom da poese, o espírito, a verve
a força, a inspiração do poeta.

E faze-nos tornar tais idéias
em palavras-verdade que, liberadas,
se espalhem, se expandam, abençoem,
curem este mundo atordoado, doente.

Rio, 09/06/2007

publicado por Magaly Magalhães às 10:42 PM
11.6.07
 

Marly de Oliveira


(De Flávia Magalhães)
Vamos falar de Marly de Oliveira?

Há poucos dias, lamentamos seu desaparecimento. Marly se foi na primeira sexta-feira de junho, deixando consternado o mundo literário .
Estamos aqui hoje por outra razão não menos importante: o dia de seu nascimento.
Nascida a 11 de junho de 1938, em Cachoeiro do Itapemirim, ES, Marly
deu à nossa poesia uma contribuição valiosa.
De linguagem substantiva, sua poesia é rica em conteúdo meditativo, em inquirições sobre o destino humano, em indagações sobre o sentido da vida.
Vejamos alguns de seus cristalinos poemas:


Não conheci o desterro

Não conheci o desterro,
mas sei a quanto obriga.
Vivo na minha terra,
embora desencontrada. Quem sabe
de mim, quem me ouve
o que não digo, quem segura
a rédea de meu sonho, permitindo
o risco da vertigem, o perigo
de conhecer o abismo?


Minha felicidade vem de quando estou só

Minha felicidade vem de quando estou só
e ninguém me interrompe no poema,
essa espécie de transfusão
do sangue para a palavra,
sem qualquer estratagema.
A palavra é meu rito, minha forma
de celebrar, investir, reivindicar:
a palavra é a minha verdade,
minha pena exposta sem humilhação
à leitura do outro,
hypocrite lecteur, mon semblable.


Eu tão prepositiva, desfaleço
Eu, tão prepositiva, desfaleço,
na contorção do que se me propõe:
o mundo não se esquiva à inquisição,
o medo não é bom amigo, o medo
indica a minha forma de não ver
a vã provocação.
Que estreito este caminho, que murado!
Tão pouco que eu ousasse e já seria
talvez o passo necessário
no sentido de ter ou de abster-me,
mas sempre um passo, um movimento,
a voz, um surdo grito, sussurrando
o enleio que o amor conhece,
entretecendo com a hera que cobre o corpo
a matéria do meu espírito,
o seu sigilo, a disputa, os meus dispersos sentidos.
Mutas vozes fizeram-se ouvir a respeito de Marly poeta.
Vejamos o que nos diz Donaldo Mello:

“Marly construiu sua poesia vivenciando as mais elevadas virtudes de persona: extrema simplicidade e singular humildade. A iluminar essas premissas, lancemos as luzes emanadas da indiscutível Clarice Lispector: ‘Trata-se de um dos maiores expoentes de nossa atual geração de poetas, que é rica em poesia (...) Basta, porém, ler Marly para admirá-la, respeitá-la e, o que é tão importante, amá-la”.

Dos textos que falam da poesia de Marly, de suas tendências poéticas, de seu enfrentamento com o mistério das coisas, libero pra vocês este aqui ,
de Felipe Fortuna, em Lavoura Arcaica

Finalizo com esta delicada jóia:

Parecia um pássaro


Parecia um pássaro, um frêmito
de folha, uma líbélula,
uma coisa evanescente
e volátil:
não era nada, um pensamento / de amor? /
que se ensaiou na sombra
e desapareceu qual rã.

publicado por Magaly Magalhães às 4:42 PM
2.6.07
 



Olhem o que achei em meus guardados! Um achado beleza!

E já que moro aqui, na Gávea, vou passar pra vocês o que de encantado tem a pedra que deu nome ao bairro.

Sinto não poder dar o crédito, é uma pena. Alguma notícia sobre a autoria do texto e fotos será bem-vinda.
O Mistério da Pedra da Gávea

Entre os bairros Barra da Tijuca e São Conrado, no Rio de Janeiro, a 842 metros acima do nível do mar, existe uma lendária montanha com a face de um gigante desconhecido que, com seus mistérios, encanta as pessoas que passam por ela.
Seu nome Gávea remonta à época do descobrimento, quando os portugueses que aqui chegaram notaram que ela era um observatório perfeito para controle das caravelas que se aproximassem.
Sua face parece uma figura esculpida e existem inscrições antigas em um de seus lados. Sua origem é objeto de discussão há anos, mas ninguém pode provar quem as fez e por quê, a não ser que se considere A Teoria da Tumba Fenícia.
Existe uma teoria, bastante difundida, de que a Pedra da Gávea seria a tumba de um rei fenício.
Tudo começa no século XIX. Algumas marcas na rocha chamaram a atenção do Imperador D. Pedro I, apesar de seu pai, D. João VI, rei de Portugal, já ter recebido um relatório de um padre falando sobre as marcas estranhas, anteriores a 1500.

Até 1839, pesquisas oficiais foram conduzidas e, no dia 23 de março, em sua 8° (oitava) seção extraordinária, o Instituto Histórico e Geográfico do Brasil decidiu que a Pedra da Gávea deveria ser extensamente analisada, tendo ordenado, então, o estudo do local e suas inscrições. Uma pequena comissão foi formada para estudar a rocha. 130 anos mais tarde, o jornal O Globo questionou a a tal comissão querendo saber se eles realmente haviam escalado a rocha, ou se eles simplesmente estudaram-na usando binóculos.

O relatório fornecido pelo grupo de pesquisa diz que eles viram as inscrições como também algumas depressões feitas pela natureza. No entanto, qualquer um que veja estas marcas de perto irá concordar que nenhum fenômeno natural poderia ter causado essas inscrições.
Após o primeiro relatório, ninguém voltou a falar oficialmente sobre a Pedra até 1931, quando um grupo de excursionistas formou uma expedição para achar a tumba de um rei fenício que subiu ao trono em 856 a.C. Algumas escavações amadoras foram feitas sem sucesso. Dois anos depois, em 1933, um grupo de escaladas do Rio de Janeiro organizou uma expedição gigantesca com 85 membros, com a participação do professor Alfredo dos Anjos, um historiador que deu uma palestra "in loco" sobre a Cabeça do Imperador e suas origens.
Em 20 de janeiro de 1937, este mesmo clube organizou outra expedição, desta vez com um número ainda maior de participantes, com o objetivo de explorar a face e os olhos da cabeça até o topo, usando cordas. Esta foi a primeira vez que alguém explorava aquela parte da rocha depois dos fenícios, se a lenda está correta.
Segundo um artigo escrito em 1956, o Centro de Excursionismo Brasileiro conquistou, em 1946, a orelha direita da cabeça, a qual está localizada a uma inclinação de 80 graus do chão e em lugar muito difícil de chegar. Qualquer erro redundaria numa queda fatal de 20 metros de altura. Esta primeira escalada no lado oeste, apesar de quase vertical, foi feita virtualmente à unha. Ali, na orelha, há a entrada para uma gruta que leva a uma longa e estreita caverna interna que vai até ao outro lado da pedra
Em 1972, escaladores da Equipe Neblina escalaram o Paredão do Escaravelho - a parede do lado leste da cabeça - e cruzaram com as inscrições que estão a 30 metros abaixo do topo, em lugar de acesso muito difícil. Apesar de o Rio ter uma taxa anual de chuvas muito alta, as inscrições ainda se conservavam quase intactas.
Em 1963, um arqueólogo e professor de habilidade científica, chamado Bernardo A. Silva Ramos, traduziu-as como:
LAABHTEJBARRIZDABNAISINEOFRUZT
Que lidas ao contrário:
TZUR FOENISIAN BADZIR RAB JETHBAAL
Ou:
TIRO, FENÍCIA, BADEZIR PRIMOGÊNITO DE JETHBAAL

Sinais que levam às muitas estórias sobre a pedra:

A grande cabeça com dois olhos (não muito profundos e sem ligação entre eles) e as orelhas;

as enormes pedras no topo da cabeça que lembram um tipo de coroa ou adorno;
uma enorme cavidade na forma de um portal na parte nordeste da cabeça com 15 metros de altura , 7 metros de largura e 2 metros de profundidade;
um observatório na parte sudeste como um dólmen, contendo algumas marcas;
um ponto culminante como uma pequena pirâmide feita de um único bloco de pedra no topo da cabeça;
as famosas e controversas inscrições no lado da rocha;
algumas outras inscrições lembrando cobras, raios-solares etc, espalhadas pelo topo da montanha;

o local de um suposto nariz, que teria caído já algum tempo.


Roldão Pires Brandão, o presidente da Associação Brasileira de Espeleologia e Pesquisas Arqueológicas no Rio afirmou: "É uma esfinge gravada em granito pelos fenícios, a qual tem a face de um homem e o corpo de um animal deitado. A cauda deve ter caído por causa da ação do tempo. A rocha, vista de longe, tem a grandeza dos monumentos faraônicos e reproduz, em um de seus lados, a face severa de um patriarca". (O GLOBO)
Hoje já se sabe que em 856 a.C., Badezir tomou o lugar de seu pai no trono real de Tiro.

Será a Pedra da Gávea o túmulo deste rei?
Segundo consta, outros túmulos fenícios que foram encontrados em Niterói, Campos e Tijuca sugerem que esse povo realmente esteve aqui. Em uma ilha na costa do Estado da Paraíba, foram encontradas pedras e ruínas de um castelo antigo com quartos enormes, diversos corredores e passagens.
De acordo com alguns especialistas, o castelo seria uma relíquia deixada pelos fenícios, apesar de haver pessoas que contextem essa teoria.
Robert Frank Marx, um arqueólogo americano interessado em descobrir provas de navegantes pré-colombianos no Brasil, começou em outubro de 1982, uma série de mergulhos na Baía de Guanabara. Ele queria achar um navio fenício afundado e provar que a costa do Brasil foi, em épocas remotas, visitada por civilizações orientais. Apesar de não achar tal embarcação, o que ele encontrou pode ser considerado um tesouro valioso.
Sobre esta experiência, O GLOBO publicou na ocasião:
"O caso dos vasos fenícios da Baía de Guanabara sempre foi tratado com o maior sigilo e seu achado só foi revelado um ano depois, em 1978, com vagas informações. O nome do mergulhador que achou as doze peças arqueológicas só foi revelado posteriormente, depois de uma conferência no Museu Marinho, pelo presidente da Associação Profissional para Atividades Sub-Aquáticas, Raul Cerqueira."
Três vasos foram encontrados. Um permaneceu com José Roberto Teixeira, o mergulhador que encontrou os vasos e os outros dois foram para a Marinha. As peças com capacidade para armazenar 36 litros, estão sob a guarda do governo brasileiro em uma localidade desconhecida.
Existe uma gruta tipo sifão na parte onde o maciço toca o mar, com a face abobadada acima do mar e com ventilação natural, onde se encontra uma escadaria em sentido ascencional, que. segundo consta, levaria ao interior da Pedra.
O caso mais conhecido referente a esta escadaria é o de dois rapazes que faziam caça submarina e, ao encontrarem a entrada para esta gruta, resolveram entrar. Decidiram subir os degraus da escadaria e a última coisa de que se lembram é de terem perdido os sentidos. Quando acordaram, estavam no topo da pedra a 842 metros de altitude.

Se a Pedra da Gávea representa a cabeça de algum tipo de esfinge, onde estaria o resto de seu corpo? Alguns estudiosos afirmam que o morro do Pão de Açúcar representa os seus pés.


E para aqueles que não se contentam com pouco, o pé da esfinge tem uma tatuagem.


***

E aí? Conheciam a lenda? Comentem, contem histórias afins. Vou adorar.

publicado por Magaly Magalhães às 5:29 PM
24.5.07
 

OS POEMAS SUSPENSOS

[AL - MUALLAQATI]








Alberto Mussa, o autor

No momento, leio Os Poemas Suspensos [Al – Muallaqat], tradução direta do árabe por Alberto Mussa. Um presentão, para mim um achado já que quase nada conheço da literatura árabe.
Feita a leitura dinâmica, posso adiantar alguma coisa para vocês.
Trata-se da poesia pré-islâmica que, a rigor, pertence à literatura oral. Os antigos beduínos memorizavam os textos e os transmitiam oralmente a recitadores que os difundiam entre as outras tribos. Só depois da fixação escrita do Alcorão é que se pôde falar em literatura árabe (632).
Mais ou menos um século se passou antes que os primeiros compiladores passasem a transcrever a poesia pré-islâmica tal como recitada pelos beduínos. Foi a partir do ano 750 que surgiram as primeiras antologias: a de Hammad al-Ráwiya contendo
sete poemas pré-islâmicos dos poetas: Imru al-Quays, Tárafa, Zuhayr, Ântara, Amr, al-Hárith e Labid; e a de Abu Zayd al-Quachi, bem maior, sob o título Jamhara al-Ashar al-Arab (coleção dos poemas árabes) que incluía a seleção de Hammad em um de seus capítulos. Foi aí provavelmente que o conjunto recebeu o nome de al-muallaqat (‘as suspensas’), de explicação lendária, o que não lhe tira a importância e o respeito da maioria dos críticos que vêem nele ainda o principal modelo da poesia pré-islâmica.

Cassida é o nome da forma poética a que pertencem os poemas suspensos e significa partida ao meio, pelo fato de serem eles uma sucessão de versos de dois hemistíquios que seguem uma única rima e um único metro, diferente da forma poética menor, o rajaz, de versos unitários, de ritmo similar ao andar dos camelos.

*Os Poemas Suspensos, como as cassidas em geral, falam da mulher que o beduíno ama; da natureza que o cerca; das coisas que: lhe são mais caras: a camela e o cavalo; dos prazeres da vida: a caçada, o jogo, o vinho; das qualidades do homem: generosidade, coragem, lealdade, sabedoria.*

Está aí uma das diferenças mais notáveis entre a poesia pré-islâmica e a lírica ocidental: a falta de liberdade de tema.

Concisão é a caractrística básica da poesia pré-islâmica: cada verso é uma unidade sintática. completa.

Outra característica é o leque de metáforas que se desenrolam a perder de vista, dando a impressão de que se mudou o tema. Há uma clara preferência pela descrição, pela comparação e pela alusão. E é justamente na beleza dessas imagens empregadas com propriedade que reside o valor desses poemas.

Em verdade, a poesia pré-islâmica não se encaixa nos moldes da literatura ocidental . Ela fala da nobreza de caráter do poeta, atitudes e qualidades de acordo com uma espécie de código de honra , a murua, que tem a ver com a idéia de plenitude e perfeição do gênero humano.

A poesia pré-islâmica é, enfim, uma poesia de natureza circunstancial. Seus poemas não são trabalhos de ficção. Referenciam sempre lugares e pessoas concretos, vivências, sentimentos.

Os poetas são homens acima do comum, heróis de seus poemas, com reconhecimento social. A tribo que tivesse em seu seio um poeta compensava-o regiamente, desobrigando-o de pagar o dote da noivas, coisa que não se concedia nem aos príncipes.

Como a poesia pré-islãmica abordava obrigatoriamente temas predeterminados, os poetas perdiam a liberdade criativa. Mas, se o poeta não podia escolher o tema, ele podia determinar a maneira de abordá-lo. É aí , nos sutis desvios do convencional, que o poeta se distingue e exibe sua originalidade.

*Lidos com atenção, os Poemas Suspensos tornam-se muito diferentes entre si. Em cada um deles percebe-se o contorno específico da personalidade do poeta: a licenciosidade de Imru al-Qays, a sabedoria de Zuhayr, o niilismo de Abid, a arrogância de Amr, o pragmatismo de al-Hárith, o hedonismo de Tárafa, a ferocidade de Ântara, a ironia de al-Asha, a astúcia de Nághiba, o esteticismo de Labid.*


Alguns excertos desses poemas.

De Imru al Qays:


1. Companheiros, alto! Choremos aqui à lembrança de um amor e de umas tendas, nos confins das colinas de areia, entre al-Dakul e HawmL;

2. e depois em Túdih; e depois em al-Miqrat: os vestígios ainda não se apagaram, entretecidos pelo vento norte e pelo vento sul.

3. Vejam! Nas planuras altas e por esses desvãos do terreno as fezes da gazela branca, pequenas como grãos de pimenta!

4. Choremos como eu, na manhã da partida, sob as acácias do clã, abrindo cabaças de colocinto!


De Abid:


14. Quem ganha um bem irá perdê-lo; quem tem esperança está sempre iludido;

15. quem tem camelos irá deixá-los como herança;quem conquista um butim será dspois saqueado;

16. quem se ausenta regresa; mas quem se auseta para ver a morte não regressa nunca.

17. Ter útero é o mesmo que ser estéril; saquear é o mesmo que ser pilhado.



De Tárafa:

45. Não me escondo, com medo, nas ravinas altas; é a mim que a tribo chama quaando pede socorro.

46. Quem me procura nas asembléias, me encontra; quem segue meu rastro pelas tendas de vinho, também.

47. Quem vem a mim, amanhece com um cálice abundante; quem o recusa, por ser rico, que fique então com sua riqueza, e a acrescente!

48. Quando o clã se reúne, estou sob o vão mais alto da tenda mais nobre, a que todos se dirigem.


De Ântara:

72. Vi a tribo se aproximar, multidão que se incitava mutuamente; e voltei à carga, indigno de censura;

73. e me chamaram*Antara*, e as lanças no ppeito do meu cavalonegro eram cordas de um balde suspenso nun poço fundo;

74. seu peito e seu pescoço abriam brechas no nimigo, mas não parei de avançar até que ele se vestisse de sangue;

75. desviou-se de uma lança arremessada contra o peito, e se queixou comigo, chorando, relinchando baixo;



De Amr:

34. Somos tios paternos para nossa gente, respeitamos seus direitos, carregamos o peso quee eles põem sobre nós.

35. Mas atacamos com lanças os inimigos que fogem e golpeamos com sabres os que nos atacam:

36. lanças de Khatt, de hastes flexíveis, e lâminas brilhantes, de fio aguçado.

37. Fendemos as cabeças das tribos e as apartamos do pescoço,



De Al-Hárith:

63. Quaando vós os fizestes desejar uma ilusão, e uma arrogante cobiça os levou até vós,

64. não vos enganaram, pois foram a miragem e a luz da manhã alta que ocultaram o vulto deles.

65. Ó grande orador que nos denuncia diante de Amr, isso não terá fim?

66. Um justo rei, o melhor entre os que amdam, a quem elogios não conseguem alcançar!



De Nábigha:

1. Ó morada de Maia entre as alturas e as faldas da montanha, desabitada, onde o passado dura para sempre!


2. Era no início do crepúsculo quando parei para interrogá-la, mas ela era inapaz de responder e já não havia rastro de ninguém,

3. exceto as ruínas de um estábulo, que a duras penas pude distinguir, e vestígios de uma vala, como uma cisterna cavada no chão duro, ao longo do camiho:

4. o fosso fora aterrado com areia úmida, e uma serva aplainou o solo com golpes de pá,



De Zuhrayr:

29. O que é a guerra senão o que conhecestes e experimentastes? E o que ela vem a ser nessas hisórias suspeitas?

30. Quando a instigam, instigam uma coisa horrenda, e ela é ávida, se lhe excitam o desejo, e logo arde.

31. Ela vos espreme como faz o moinho sobre o fardo de couro;e, fecundada duas vezes por ano, dá à luz gêmeos.

32. Ela gera para vós jovens tão malditos quanto Ahmar de Ad, depois os amamenta e os desmama.



De Labid:

78. Quando as assembléias se reúnem, é sempre um de nós quem defende as causas mais difíceis;

79. quem reconhece, divide e retira direitos entre as linhagens;

80. quem, sendo nobre, concede favor com largueza, benfeitor que pilha quanto deseja.

81. Nascemos de uma linhagem a cujos pais leis foram outorgadas:cada tribo com sua suna e seu ímã.



De Al-Asha:

1.Dê adeus à Hurayra, que a caravana parte, mas, homem, és capaz de dar adeus?

2. De palidez resplandecente, abundante a cabeleira, polida a face, ela caminha lenta como uma gazela de cascos feridos sobre a lama.

3. Quando vem da tenda da vizinha, é como uma nuvem que passa, sem tardança, sem precipitação .

4. Percebes que ela se afasta pelo ruído de colares e pulseiras, como arbustos buliçosos pedindo socorro ao vento.



Como imagino que haverá pessoas que gostarão de saber sobre o autor desta obra, seus caminhos, o esforço despendido para empreender seu trabalho, convido-os a clicar aqui e ler esta entrevista e esta outra.

publicado por Magaly Magalhães às 3:51 PM