Divulgar
idéias próprias, combater o discurso invertido corrente,
aprender a dividir, expor sentimentos,
trazer poesia ao dia-a-dia, eis a abrangente ação deste
veículo de idéias. De tudo, um pouco - minha meta.
Dauro Veras entrou na onda e deu sua contribui��o muito bem dada. Apreciem:
Destino Teria sido amor � primeira vista, mas ela dobrou a esquina.
Para Bandini Ao ver o carro capotado, o cachorrinho sorriu. Fim da fuga, pneu...
Reflexivo Pensou em mandar o tapa, mas perdeu o tempo e o espa�o.
Impulsivo Revidou o tapa de imediato. At� hoje n�o soube se agiu bem.
N�o d� vontade de *arremedar* (como se diz na minha terra)? Vamos tentar?
Pegadinha Vi a c�dula, quis pegar, cambaleei, ca�... Risos de mofa l� adiante...
Quem se habilita? O espa�o dos coment�rios � serventia do blog.
E se a tend�ncia s�o contos breves, que dizer dos poemas m�nimos? Epigramas, melhor dizendo
RESUMO DO DIA Heitor Ferraz
Nenhum recado de morte que sempre abala tanto a fam�lia. O mundo perplexo parou e a vida obl�qua preferiu continuar traindo sem matar ningu�m.
D� para ousar? Mexendo nos guardados:
SENTIDOS
Seria um gesto de identifica��o com a paisagem todavia... o barulho do tr�nsito o calor do asfalto os *atletas* do largo o odor dos restaurantes o desconforto dos exclu�dos ... dilu�ram o gesto emudeceram a palavra 2.000/Rio
publicado
por Magaly Magalhães às 11:31 PM
24.5.04
Case ad Auvers Vincent Van Gogh www.wholesaleoilpainting.com
N�o h� dinheiro no mundo que pague uma rela��o infeliz como a nossa. Ela disse isso uma semana antes do d�cimo s�timo anivers�rio do casamento deles. Disse assim, no meio de uma conversa que, a princ�pio, n�o deveria ter maiores conseq��ncias. Ele ouviu quieto. Depois fez as malas e foi embora. Um m�s depois ela ligou para o apart onde ele estava hospedado. Deixou um recado na secret�ria eletr�nica toda docinha, chorando, pedindo para ele ligar. Ele ouviu o recado um monte de vezes, voltando a fita a cada pouco, com os olhos molhados. Mas nunca ligou de volta.
DROPS 13 (segunda narrativa), de CR�NICAS DE QUASE AMOR, de F�bia Vitielo.
� ela mesma, a nossa festejada Fal ,do blog Drops da Fal. Ela sabe dizer as coisas de modo despojado, a maioria das vezes com humor, coisas repassadas de sentimento e poesia. Ela � a dona do quase definido lindamente nas cr�nicas e mini-cr�nicas casuais (drops), nas quais os limites s�o ausentes ou se tornam difusos. Vale a pena ter Fal na cabeceira.
N�o falo s� da criatura perspicaz, observadora, capaz de atinar com os detalhes mais insignificantes que comp�em uma situa��o e traz�-las despretensiosamente para o papel onde ganham cor, movimento, relev�ncia, enfim, n�o falo s� da escritora que a Fal �, para g�udio nosso, falo da Fal humana, amiga, alegre, otimista, sem m�scara, da Fal dedica��o e compreens�o, falo da carga de afetividade que, na realidade, ela mostra ter.
Fal, falando (se me permitem), pela classe blogueira: Gostamos de voc� como escritora e como pessoa e torcemos pela sua carreira ascensional no meio liter�rio.
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Uma situa��o comum num futuro pr�ximo
A evolu��o do sistema informa��o pela involu��o da privacidade!!! �tica?!!! (mensagem recebida por email)
(Piada?!!!)
Uma Pizza em 2007
Telefonista: Pizza Hot, boa noite!
Cliente: Boa noite, quero encomendar pizzas...
Telefonista: Pode me dar o seu NIDN?
Cliente: Sim, o meu n�mero de identifica��o nacional � 6102-1993-8456-54632107.
Telefonista: Obrigada, Sr.Lacerda. Seu endere�o � Av. Paes de Barros, 1988 ap.52 B e o n� de seu tel. � 5494-2366, certo? O telefone do seu escrit�rio na Lincoln Seguros � o 5745-2302 e o seu celular � 9266-2566.
Cliente: Como voc� conseguiu essas informa��es todas?
Telefonista: N�s estamos ligados em rede ao Grande Sistema Central.
Cliente: Ah, sim, � verdade! Eu queria encomendar duas pizzas, uma quatro queijos e outra calabresa...
Telefonista: Talvez n�o seja uma boa id�ia...
Cliente: O qu�?
Telefonista: Consta na sua ficha m�dica que o senhor sofre de hipertens�o e tem a taxa de colesterol muito alta. Al�m disso, o seu seguro de vida pro�be categoricamente escolhas perigosas para a sua sa�de.
Cliente: �, voc� tem raz�o! O que voc� sugere?
Telefonista: Por que o senhor n�o prova nossa pizza Superlight, com tofu e rabanetes? O senhor vai adorar!
Cliente: Como � que voc� sabe que vou adorar?
Telefonista: O senhor consultou o site "Recettes Gourmandes au Soja" da Biblioteca Municipal, dia 15 de janeiro, �s 14:27h, onde permaneceu ligado � rede durante 39 minutos. Da� a minha sugest�o...
Cliente: Ok, est� bem! Mande-me duas pizzas tamanho fam�lia!
Telefonista: � a escolha certa para o senhor, sua esposa e seus filhos, pode ter certeza.
Cliente: Quanto �?
Telefonista: S�o R$49,99.
Cliente: Voc� quer o n�mero do meu cart�o de cr�dito?
Telefonista: Lamento, mas o senhor vai ter que pagar em dinheiro. O limite do seu cart�o de cr�dito j� foi ultrapassado.
Cliente: Tudo bem, eu posso ir ao Multibanco sacar dinheiro antes que chegue a pizza.
Telefonista: Duvido que consiga, o Sr. est� com o saldo negativo no banco.
Cliente: Meta-se com a sua vida! Mande as pizzas que eu arranjo o dinheiro. Quando � que entregam?
Telefonista: Estamos um pouco atrasados, vai levar uns 45 min. Se o senhor estiver com muita pressa pode vir busc�-las, se bem que carregar duas pizzas na moto � muito perigoso...
Cliente: Mas que hist�ria � essa, como � que voc� sabe que eu vou de moto?
Telefonista: Pe�o desculpas, mas reparei aqui que o senhor n�o pagou as �ltimas presta��es do carro e ele foi penhorado. Mas a sua moto est� paga, e ent�o pensei que fosse utiliz�-la.
Cliente: @#%/�@?#>�/%#!!!!!!!!!!!!!
Telefonista: Gostaria de pedir que n�o me insulte... n�o se esque�a de que o Ssenhor j� foi condenado em julho de 2006 por desacato em p�blico a um Agente Regional.
Cliente: (Sil�ncio)
Telefonista: Mais alguma coisa?
Cliente: N�o, � s� isso... n�o, espere... n�o se esque�a dos 2 litros de Coca-Cola que constam na promo��o. Telefonista: Senhor, o regulamento da nossa promo��o, conforme citado no art. 309.542/12, nos pro�be de vender bebidas com a��car a pessoas diab�ticas...
Cliente: Aaaaaaahhhhhhhh!!!!!!!!!!! Vou me atirar pela janela!!!!!
Telefonista: E machucar o joelho? O senhor mora no andar t�rreo!
publicado
por Magaly Magalhães às 10:05 PM
20.5.04
Souberam desta?
Ag�ncia Estado - 07:02 - 05/05/2004 Fran�a quer cobrar direito autoral pela imagem do Cristo Redentor
F�rum: voc� concorda com o pedido da fam�lia francesa?
A Sociedade de Autores e Compositores Dram�ticos da Fran�a quer cobrar os direitos autorais pela utiliza��o da imagem do Cristo Redentor. O pedido, encaminhado � Sociedade Brasileira de Autores (SBAT), foi feito em nome da fam�lia do artista Paul Landowiski, respons�vel pela execu��o da escultura. A informa��o � do vice-presidente da SBAT, Bemvindo Sequeira. "A lei brasileira impede o pagamento, porque depois de 15 anos em logradouro p�blico, a obra se torna dom�nio p�blico. Os franceses s�o t�o organizados que est�o pedindo o pagamento dos direitos autorais. Isso tudo teria que ser feito desde 1932", explicou Sequeira. Para ele, essa � uma prova de que a quest�o do direito autoral � levada com seriedade em outros pa�ses.
Mulher encontra violoncelo Stradivarius de US$ 3,5 milh�es no lixo Um violoncelo Stradivarius avaliado em US$ 3,5 milh�es foi encontrado numa lixeira ap�s ter sido roubado da casa de um m�sico da Filarm�nia de Los Angeles. A informa��o foi divulgada nesta ter�a-feira pela pol�cia local.
O instrumento, de 320 anos, um dos �nicos 60 fabricados por Antonio Stradivari, quase foi transformado em um porta-CDs.
O violoncelo foi roubado da varanda da casa do m�sico no m�s passado e encontrado tr�s dias depois numa lata de lixo de uma rua de Los Angeles por uma mulher. Ela resgatou o precioso instrumento e o levou para casa, onde perguntou ao namorado se faria reparos nele para transform�-lo num porta-CDs personalizado.
"Gra�as a Deus meu namorado n�o trabalha rapidamente nas minhas coisas", disse a mo�a, segundo seu advogado, Ron Hoffman, ap�s descobrir que o instrumento tinha sido roubado.
O editor do UOL Tabl�ide j� encontrou muitas coisas no lixo. Bilhetes de loteria (que n�o foram premiados), guitarras Ao Rei dos Viol�es sem cordas e sem valor, revistas "Playboy" com as p�ginas arrancadas, times de bot�o incompletos do Flamengo...
Trago-lhes essas not�cias para descansarmos um pouco dos intermin�veis registros de atentados e mortic�nios por esse mundo-de-deus. Que coisa asfixiante! A intoler�ncia, a agressividade, a gan�ncia tomaram conta do mundo e s� se ouve falar em sangue, morte, exterm�nio. Quando o homem vai perceber que tem uma miss�o na terra e tem que se render ao sentimento de amor, proclamar a paz?
Vamos terminar com
CODA
De Salgado Maranh�o A Ferreira Gullar/Sol Sang��neo
Agora que cantar � flor de lavas, lides e o sol sang��neo raia nosso cais, uma foz de l�bios nos incesta ao arb�trio antes que rapinas raptem nosso �ltimo gr�o de v�scera.
Cantar como as pedras rolam cantar como o sangue cinge os d�gitos do amor mensur�vel.
Radical amanhece A ramagem de inc�ndios sobre as vinhas.
Do sublime � barb�rie, eis que o destino inscreve-se nos dentes.
Transidos recolhemos a penugem do sol e o sil�ncio em riste.
No ermo de ter-se sem se pertencer s� o impermanente permanece.
publicado
por Magaly Magalhães às 12:19 AM
12.5.04 Tela a �leo de L�da Yara Motta Mello
"Pedra na pedra, o homem onde estava? Ar dentro do ar, o homem onde estava? Tempo no tempo, o homem onde estava?" (Pablo Neruda, CANTO GERAL)
Voc�s sabem que o dia 21 de mar�o � o Dia Mundial da Poesia? A UNESCO (United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization) mant�m um site onde est�o registrados eventos como festivais, pr�mios; revistas em circula��o; institui��es existentes em funcionamento; e ainda sites de internet no mundo. Os que se interessarem pelo assunto cliquem aqui.
Voc�s v�o ver a posi��o do Brasil nas categorias acima mencionadas. Entre as institui��es ali inseridas, est� o simp�tico grupo Palavreiros, fundado em 1999, na cidade de Diadema, S�o Paulo/Brasil. Na edi��o deste ano, Palavreiros -portal brasileiro de literatura, homenageia Pablo Neruda pelo centen�rio de seu nascimento. Trata-se , na realidade, de um festival livre de poesia, sem caracter�stica de concurso, com a participa��o de 1.000 poetas de 37 pa�ses. � o 3� festival de Palavreiros comemorando o Dia Mundial da Poesia pela uni�o dos povos atrav�s da poesia.
Leda Yara Motta Mello, que, de vez em quando, empresta seu brilho a estes posts, � uma das poetas do grupo Palavreiros. Neste portal, clicando em Brasil/Alagoas, voc�s encontrar�o alguns de seus poemas, entre os quais o que lhes deixo agora:
ONDE ESTAVAS?
N�o estiveste quando a primavera Sorriu na haste da primeira flor. Tamb�m n�o estavas quando o frio inverno Pediu em mim o sol do teu calor.
Veio o ver�o banhado de alegria N�o aqueceste o meu cora��o. Na solid�o do outono vi a nostalgia Das folhas mortas, soltas pelo ch�o.
Sozinha vi o brilho do luar, Contei estrelas, contemplei o mar, Andei caminhos das minhas verdades...
N�o partilhaste a luz do arrebol N�o estiveste em cada p�r de sol Que permanece a hora das saudades.
Do livro Meus Sonhos
De Neruda, como extens�o da homenagem:
ANTES
ANTES de amar-te, amor, nada era meu: vacilei pelas ruas e as coisas: nada contava nem tinha nome: o mundo era do ar que esperava.
E conheci sal�es cinzentos, t�neis habitados pela lua, hangares cru�is que se despediam, perguntas que insistiam na areia.
Tudo estava vazio, morro e mundo, ca�do, abandonado e deca�do, tudo era inalienavelmente alheio,
tudo era dos outros e de ningu�m, at� que tua beleza e tua pobreza de d�divas encheram o outono.
publicado
por Magaly Magalhães às 6:58 PM
7.5.04
Il Ballo del Moulin de la Galette Oil painting de Auguste Renoir
Tirei o dia hoje para �brincar de casinha� (aprendi com a Fal; ela fala assim em seu livro Cr�nicas de Quase Amor. Que bonitinho!) De manh�, parti para podar minhas azal�ias, na varanda. Como floraram neste ver�o (um pouco menos quente que o habitual)! Estavam sujinhas, precisavam mesmo de uma m�o amiga. Almo�o preparado e consumido, cozinha arrumada, iniciei umas modifica��es na �rea de servi�o e depend�ncias. Pronto! Agora est� como eu quero. Ufa!
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Hoje � dia de conversa fiada. Uma boa sa�da para um pequeno �relax�. Pra que negar nossa natureza?
Adoro pref�cio, introdu��o, apresenta��o, orelha, dedicat�ria de livros. N�o sei ler um livro sem passar pelo que est� escrito debaixo dessas quatro primeiras denomina��es. �, s�o manifesta��es ora do pr�prio autor, ou de algu�m fora da obra, geralmente um �expert� no assunto, ou de uma pessoa entendida, muito ligada ao escritor apresentado e t�m a finalidade de orientar o leitor a fazer uma leitura mais proveitosa. J� a dedicat�ria revela o sentimento do autor ao escrever e lan�ar seu trabalho. Dois pref�cios (ou introdu��es) que sempre releio toda vez que retomo os respectivos livros: o de Benedito Nunes introduzindo o �Poesia de M�rio Faustino� e o que apresenta � Flor de Poemas� de Cec�lia Meireles, escrito por Darcy Damasceno sob o t�tulo �Poesia do Sens�vel e do Imagin�rio�. Falando de dedicat�rias, juro que nunca li mais belas do que as de Florbela Espanca. Uma delas est� em seu livro �Trocando Olhares�:
� teu o meu livro; guarda-o bem; Nele floresce o meu casto amor Nascido nesse dia em que o destino Uniu o teu olhar � minha dor!
E em �Livro das M�goas�:
� querida Alma irm� da minha, Ao meu irm�o.
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N�o d� para falar em Cec�lia sem deixar um de seus poemas.
RETRATO
Eu n�o tinha este rosto de hoje, assim calmo, assim triste, assim magro, nem estes olhos t�o vazios, nem o l�bio t�o amargo.
Eu n�o tinha estas m�os sem for�a, t�o paradas e frias e mortas; eu n�o tinha este cora��o que nem se mostra.
Eu n�o dei por esta mudan�a, t�o simples, t�o certa, t�o f�cil: - Em que espelho ficou perdida a minha face?
publicado
por Magaly Magalhães às 1:27 AM